Miguel Guimarães: OE2021 não corresponde às expetativas
DATA
21/10/2020 11:33:12
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Jornal Médico
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Miguel Guimarães: OE2021 não corresponde às expetativas

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, considera que a proposta de Orçamento do Estado para 2021 (OE2021) não corresponde às “expetativas dos profissionais de saúde e dos portugueses” nem investe no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A questão do Orçamento para o próximo ano foi uma das debatidas, ontem, numa audiência com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que levou ao Palácio de Belém não apenas Miguel Guimarães, mas também cinco outros antigos bastonários da OM: Gentil Martins, Carlos Ribeiro, Germano de Sousa, Pedro Nunes e José Manuel Silva.

No final da audiência foi o atual bastonário quem resumiu aos jornalistas o que se passou na reunião, sendo um dos assuntos a questão do “necessário reforço” do SNS, para que em tempos de pandemia nenhum doente, com Covid-19 ou com outras doenças, “fique para trás”. O atual bastonário referiu: “Não estamos a investir no SNS aquilo que devíamos investir”, e era importante que este Orçamento mostrasse que os políticos “estão preocupados com a valorização do trabalho dos profissionais de saúde. E, no entanto, não há nada no OE2021 sobre a carreira desses profissionais, uma falha grave”, nem se consideram os médicos como tendo uma profissão de desgaste rápido. “Era o momento certo em vez de estarem com incentivos”, considerou.

A atual epidemia de Covid-19 foi o tema central do encontro, com Miguel Guimarães a afirmar a questão de um novo confinamento não foi abordada. De resto, o bastonário não defendeu esta medida, antes preconizando que se usem todos os recursos do SNS e eventualmente junto do setor privado, e que “isso já devia de estar devidamente organizado”.

Na audiência falou-se também da comunicação sobre a pandemia, “que tem que ser simples, curta, clara e sempre verdadeira”, nas palavras de Miguel Guimarães. O bastonário considera fundamental que as mensagens sobre questões como o distanciamento social ou as medidas de higiene cheguem às pessoas, e para isso é necessário ter pessoas diferentes a comunicar, como jovens, como pessoas com impacto na comunidade.

“Neste momento o que é importante é sabermos identificar onde é que acontecem a maior parte das infeções”, e “percebermos que as máscaras são muito importantes”, disse o bastonário, salientando que é também muito importante que sejam divulgados os mapas de risco locais, que não são divulgados mas que é uma informação “crucial”, porque um concelho pode ter muitas infeções e as pessoas não saberem.

O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
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Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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