Liga Contra a SIDA faz 30 anos e lança nova campanha para “derrubar o estigma”
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26/10/2020 11:26:14
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Jornal Médico
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Liga Contra a SIDA faz 30 anos e lança nova campanha para “derrubar o estigma”

A Liga Portuguesa Contra a SIDA (LPCS) assinalou sexta-feira 30 anos de existência com uma nova campanha para combater a discriminação que ainda persiste sobre as pessoas com VIH e SIDA, segundo a presidente da instituição, Maria Eugénia Saraiva.

Sob o lema ‘Na SIDA existe vida’, a mensagem – que se alia também ao lançamento de uma nova imagem institucional – renova a “missão de sempre” da LPCS, com a ambição assumida de “questionar e desconstruir a ligação entre a SIDA e a morte e passar o conceito de que na SIDA existe vida”, onde o que mais importa são as pessoas e não os números.

“O estigma social existe”, afirma Maria Eugénia Saraiva, para quem “o vírus social continua a sobrepor-se”, tornando ainda hoje a discriminação “um obstáculo” para todos os que são afetados pela doença. “Por isso, queremos falar da discriminação que ainda hoje se sente com o objetivo de derrubar o preconceito e provar que há vida para lá da infeção”, frisa, notando: “Trata-se de uma campanha direcionada para derrubar a discriminação e o estigma”.

A presidente da LPCS alerta o Ministério da Saúde para não deixar que a pandemia de covid-19 leve a uma nova supressão da assistência aos doentes com outras patologias.

“Portugal não pode fechar. Não podemos neste momento não ter respostas para as outras doenças e, neste caso, para as pessoas que vivem com o VIH [vírus da imunodeficiência humana]. Temos de ter soluções para as pessoas que vivem com outras infeções e temos de nos organizar com as pessoas que estão no terreno, a sociedade civil e os ‘pensadores’. Mais do que os custos, são os ganhos de saúde que importam”, afirma, em entrevista à Lusa, no dia em que a instituição cumpre 30 anos.

Para Maria Eugénia Saraiva, a imposição de medidas de cariz mais autoritário ou repressivo pelo Governo para o controlo da pandemia pode mesmo acabar por ter um efeito inverso àquilo que é pretendido, apelando à defesa de uma ‘vacina da tolerância’ e a um “diálogo efetivo” e com “objetivos mensuráveis” entre os diferentes intervenientes.

“É importante alertar que o proibicionismo e o autoritarismo face ao que estamos a viver não é o caminho para muitas destas pessoas. A resposta, muitas vezes, é contrária àquilo que nós pensamos que poderá ser o caminho. Cada vez mais, temos de estar ligados para percebermos como é que poderemos ultrapassar todos estes obstáculos e que não nos parece que terá um termo tão rápido quanto seria desejável”, explica a psicóloga clínica e presidente da organização desde 2006.

Em entrevista à Lusa, a líder da LPCS realça as três décadas de trabalho como “um marco” que une profissionais, voluntários e utentes, além de confirmar o papel complementar da organização junto do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a sua dupla vertente de “ativo e ativista, de forma a fazer valer os direitos e os deveres” da população seropositiva.

“Foram muitas as pessoas que passaram pelos nossos serviços. Não são contabilizadas em 30 anos, porque os serviços foram crescendo e não se consegue contabilizar o número de pessoas e famílias que conseguimos abranger. Sabemos hoje que os nossos centros de atendimento e apoio integrado, em Lisboa, Loures e Odivelas, abrangem mais de 350 famílias por ano. São números importantes, mas, mais do que os números, importamo-nos com as pessoas”, salienta.

De acordo com Maria Eugénia Saraiva, os tratamentos para o VIH-SIDA evoluíram muito e já permitem “uma vida igual a qualquer pessoa que não seja infetada” pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH), com natural impacto “crescente” na qualidade de vida dos doentes. Do mesmo modo, defende que “com os cuidados adequados” e a medicação mais avançada (como a PrEP e a PPE) é possível reduzir significativamente o risco de contágio.

Com um agradecimento a todos os “voluntários, colaboradores, profissionais de saúde e utentes que viveram e fizeram viver” a LPCS, a presidente da instituição parte da evolução da doença em Portugal nos últimos 30 anos para concluir que a “prevenção – que é ainda hoje o mote – é também um tratamento” com sucesso.

O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
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Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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