Investigadores criam biomarcador que diagnostica cancro da mama HER2+ em fase inicial
DATA
03/11/2020 11:04:44
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Jornal Médico
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Investigadores criam biomarcador que diagnostica cancro da mama HER2+ em fase inicial

Uma equipa de investigadores do IDIBAPS, em Barcelona (Espanha), desenvolveu um biomarcador que integra variáveis clínicas de doentes, informações sobre o tumor e dados genómicos para diagnosticar mulheres com cancro da mama HER2+ em fase inicial.

A investigação, cujos resultados acabam de ser publicados na revista Lancet Oncology, contou com a colaboração da Universidade de Pádua e demonstra a capacidade de um diagnóstico precoce desta nova ferramenta, designada HERD2DX, noticia a agência EFE.

O biomarcador foi testado com dados de 702 doentes com cancro da mama HER2+ recentemente diagnosticado.

A investigação foi coordenada pelo chefe do Serviço de Oncologia Médica do hospital espanhol e professor da Universidade de Barcelona, ​​Aleix Prat, e pelo professor de Cirurgia, Oncologia e Gastroenterologia da Universidade de Pádua e investigador do Istituto Oncologico Veneto (IOV), Pierfranco Conte.

O cancro da mama HER2+ é responsável por 20% dos tumores da mama e, quando a doença está numa fase inicial, o tratamento local, a quimioterapia e o tratamento anti-HER2 com trastuzumab durante um ano têm demonstrado grandes benefícios para a taxa de sobrevivência a longo prazo.No entanto, entre 20 a 30% dos pacientes acabam por apresentar a doença numa fase avançada. Nos últimos anos, novas estratégias terapêuticas foram incorporadas para combater a doença numa fase inicial, como novos medicamentos anti-HER2 pertuzumab, T-DM1 e neratinib.

"Existem doentes que ficam curados com o tratamento padrão à base de quimioterapia e trastuzumab, e não precisam de tratamento adicional. Também existem aqueles que precisam de tratamentos adicionais porque têm um alto risco de desenvolver a doença avançada nos próximos anos, mas infelizmente não temos ferramentas para saber quem é quem na hora do diagnóstico e, por isso, estamos a tratar demais e a subtratar muitos pacientes”, explicou Aleix Prat.

Nos últimos cinco anos, a investigação tem-se debruçado sobre a heterogeneidade biológica da doença HER2+ e identificou vários grupos moleculares com diferentes sensibilidades aos tratamentos.

"A pergunta que colocamos a nós próprios era como poderíamos usar todo esse conhecimento para ter impacto na prática clínica. Ao integrar vários dados de 702 pacientes acompanhados por muitos anos, temos agora uma ferramenta inovadora que prevê a sobrevivência e permite individualizar o tratamento em cada paciente”, acrescentou.

O novo biomarcador combina 17 variáveis ​​clínicas, patológicas e genómicas, com as quais prevê o prognóstico de pacientes com cancro da mama HER2+ numa fase inicial.

Nos testes realizados, os investigadores demonstraram que o biomarcador tem a capacidade de identificar uma proporção significativa de pacientes com a doença HER2+ numa fase inicial que não precisam de terapias adicionais para além do tratamento padrão, e um grupo de pacientes com alto risco de desenvolver uma recorrência e que obriga a mais tratamentos que o normal.

Os investigadores procuram agora perceber se o biomarcador permite também ajudar a diminuir o tratamento padrão e se é capaz de encurtar a duração do trastuzumab ou a quantidade de quimioterapia necessária, ou até identificar os pacientes que não irão precisar de quimioterapia.

Uma oportunidade de ouro
Editorial | Nuno Jacinto
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