Diabetes em Portugal: prevalência elevada, mas faltam números atuais
DATA
06/11/2020 14:46:52
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Jornal Médico
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Diabetes em Portugal: prevalência elevada, mas faltam números atuais

Em Portugal, a prevalência de diabetes continua a ser uma das mais elevadas da Europa, com cerca de 10-13% da população com 20-79 anos afetada, segundo o relatório do Programa Nacional de Diabetes (PND) de 2019.

A nível mundial, a OMS estima que a epidemia continue em crescimento, sendo que, em 2016, os números da população abrangida representavam 422 milhões da população e que a patologia foi causa direta de cerca de 1,6 milhões de mortes. Atualmente, não existem números concretos da doença, sendo expectável que a crise de saúde pública tenha agravado o número de caso de diabetes não diagnosticados.


Segundo o mesmo relatório, nos mais novos a taxa de diabetes tipo 1 está a aumentar, com um total de 234 e 178 de novos casos em crianças e jovens até aos 19 anos, em 2017 e 2018, respetivamente. Estes crescimentos derivam, maioritariamente, de hábitos sedentários e da má alimentação, sendo a obesidade uma das causas mais associadas a esta patologia.


Devido a esta prevalência e às complicações que a doença acarreta, diminuindo a qualidade de vida e aumentando o risco de morte antes dos 70 anos, é cada vez mais importante definir um plano para a prevenção e controlo de diabetes, construindo campanhas de sensibilização e de prevenção junto da população. Por exemplo, está provado que alterações ao estilo de vida, como peso saudável, atividade física e uma dieta equilibrada que evite açúcar e gorduras saturadas, podem ser bastante efetivas na prevenção e no atraso de diabetes tipo 2 e as suas complicações.


No ano de 2019, o plano do PND passava por reforçar a vigilância epidemiológica para ter acesso a números reais e atualizados da população portuguesa, mas, ainda não são conhecidos os números mais recentes.

Com a pandemia de COVID-19 a ter sobrecarregado o Sistema Nacional de Saúde (SNS) e a ter restringido os acessos aos serviços de saúde, principalmente durante o período de quarentena obrigatória, estima-se que cerca de 20 mil pessoas possam não ter tido acesso ao diagnóstico precoce da patologia. Também o número de internamentos por condições agudas da diabetes aumentou e milhares de consultas e tratamentos foram adiados, o que, a médio e longo prazo, poderá trazer consequências graves na saúde dos doentes.

Durante a pandemia, a diabetes foi considerada uma das doenças crónicas que podiam justificar a falta ao trabalho e era aconselhado que os diabéticos com mais de 60 anos cumprissem uma quarentena rigorosa, para evitar risco de complicações graves e de morte.

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Editorial | Joana Romeira Torres
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A Organização Mundial de Saúde alude que os Cuidados de Saúde Primários (CSP) são cruciais para a obtenção de promoção da saúde a nível global. Neste sentido, a Organização Mundial dos Médicos de Família (WONCA) tem estabelecido estratégias que têm permitido marcar posição dos mesmos na comunidade médica geral.

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