APAH: Levantamento de medicação hospitalar na farmácia comunitária representa poupança para doentes
DATA
12/11/2020 14:12:35
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Jornal Médico
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APAH: Levantamento de medicação hospitalar na farmácia comunitária representa poupança para doentes

Um em cada quatro doentes que na pré-pandemia levantava a sua medicação no hospital passou a recebê-los em casa ou a levantar na farmácia do bairro, uma situação que, em muitos casos, trouxe poupanças superiores a 15 euros.

Segundo um estudo feito por encomenda da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) a que a agência Lusa teve acesso, das pessoas que antes do confinamento faziam o levantamento através do modelo hospitalar, 23,2% mudaram para o modelo de proximidade durante o confinamento e mantiveram-se no pós-confinamento.

O conforto, a poupança e a rapidez foram as principais razões que levaram estes doentes a optar por uma entrega de proximidade. Antes do confinamento, mais de metade (55%) tinham que faltar ou tirar dias de férias no trabalho para conseguir ir levantar a medicação no hospital.

Os dados do estudo, que será apresentado na amanhã, indicam que cada utente que mudou para o modelo de proximidade poupou em média 112 quilómetros em deslocações (ida e volta) e que as poupanças financeiras ultrapassaram os 15 euros, em alguns casos.

O documento refere que “28,6% dos utentes que mudaram para o modelo de proximidade gastavam, antes do confinamento e no modelo hospitalar, mais de 20 euros em deslocações. Ao passarem para o modelo de proximidade, 92% passaram a gastar menos de cinco euros”.

O estudo da APAH refere ainda que “dos 75,9% das pessoas que antes do confinamento faziam o levantamento através do modelo hospitalar, 41,1% mantiveram esse levantamento durante e após o confinamento (destes, mais de metade não mudou porque o hospital não informou dessa possibilidade)”.

Os resultados mostram ainda que 82,9% dos inquiridos neste estudo gostaria que, no futuro, o levantamento da medicação fosse realizado numa farmácia perto de si (43,7%) ou em casa (39,2%) e 65% estão dispostos a pagar para receber a medicação no local que pretendem, “independentemente de pagarem ou não de taxas moderadoras”.

Os meios de comunicação com os profissionais de saúde também sofreram alterações por causa da pandemia de covid-19, passando a privilegiar-se os contactos por email, whatsapp e sms, bem como as chamadas telefónicas. A utilização de aplicações eletrónicas para consultar o ponto de situação da entrega da medicação é considerada pelos inquiridos neste estudo como muito útil, com uma avaliação de 4,17 [escala de 1 a 5].

“Os utentes que mudaram para o modelo de proximidade estão muito mais satisfeitos com este (4,61 de grau de satisfação), comparativamente ao modelo hospitalar que utilizavam antes do confinamento (3,12) [escala de 1 a 5]”, acrescenta.

O estudo da APAH, que será divulgado amanhã no decorrer do Fórum do Medicamento, tem uma amostra de 510 utentes responsáveis pelo levantamento da medicação de dispensa exclusiva hospitalar, sendo proporcional à população portuguesa de acordo com a incidência das doenças para as quais é necessário utilizar medicação de dispensa exclusiva hospitalar.

O trabalho pretendeu analisar o impacto da pandemia de colvid-19 no processo de obtenção da medicação de dispensa exclusiva em farmácia hospitalar, avaliar o nível de satisfação dos vários modelos de dispensa do medicamento - nos períodos pré-pandemia, confinamento e pós-confinamento e perceber quais as expectativas dos utentes para o futuro e os aspetos que estes mais valorizam no acesso ao medicamento hospitalar.

Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.