Autoaversão, autocompaixão e a sua influência em traços borderline na adolescência
DATA
17/11/2020 17:31:27
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Jornal Médico
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Autoaversão, autocompaixão e a sua influência em traços borderline na adolescência

Uma equipa da Universidade de Coimbra (UC) está a desenvolver o primeiro em Portugal focado na adolescência, que visa a deteção precoce da perturbação borderline da personalidade (PBP), bem como a identificação de fatores de risco e protetores que permitam construir programas de intervenção eficazes para combater a patologia.

Este estudo pretende “Detetar e sinalizar o mais precocemente possível esta perturbação, por forma a evitar que se agrave. Na adolescência, conseguimos logo detetar traços disfuncionais desta patologia, que, com o avançar da idade, acabam por se cristalizar e intensificar, com consequências graves”, explica o investigador principal do estudo, Diogo Carreiras.

Segundo o investigador esta é a grande novidade do projeto, já que, “em vez de estudar esta perturbação severa numa ótica remediativa, ou seja, a pessoa já tem a perturbação, o nosso foco é atuar antes, para prevenir e impedir a perturbação”.

Os primeiros resultados deste estudo, que envolveu 1007 adolescentes (420 rapazes e 587 raparigas) - de sete estabelecimentos de ensino básico e secundário do Centro e Norte de Portugal, com uma média de idades de 15.3 anos - sugerem que, em média, as raparigas adolescentes apresentam traços borderline mais elevados do que os rapazes.

A perturbação borderline da personalidade é uma perturbação grave associada a elevada tendência suicida. Estima-se que 2 a 6% da população mundial padeça desta perturbação marcada por uma intensa instabilidade emocional, impulsividade e autodano.

Foram também explorados fatores protetores e fatores de risco no desenvolvimento e na evolução dos traços borderline.

“Estudámos duas variáveis opostas: uma de risco, a autoaversão, caracterizada por uma relação de grande criticismo, aversão e de ataque ao ‘eu’; e uma variável protetora, a autocompaixão (relação de autocuidado), que se traduz na capacidade de sermos sensíveis ao nosso próprio sofrimento, reconhecendo-o, e de agir de forma genuína e comprometida no sentido de o aliviar”, clarifica o investigador do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC).

Verificou-se que, independentemente do sexo, estas duas variáveis assumem um papel importante na evolução da sintomatologia borderline na adolescência, mostrando assim que são variáveis essenciais a considerar na compreensão dos traços borderline nesta faixa etária. 

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