Resistência aos antibióticos pode matar 10 milhões de pessoas até 2050

A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) chama a atenção para a resistência aos antibióticos e junta-se à campanha nacional “Responsabilidade é o Melhor Remédio” para sensibilizar os médicos, farmacêuticos e a população em geral para o uso indiscriminado destes medicamentos.  

O Dia Europeu do Antibiótico, que se comemora hoje, vem reforçar esta ideia de que as infeções existentes atualmente podem vir a ser fatais nos próximos anos devido à resistência aos antibióticos, que se estima podem causar a morte a 10 milhões de pessoas até 2050.

Para além da sensibilização, a iniciativa pretende disseminar a informação de forma massiva para desencadear a utilização responsável do antibiótico, já que os dados mostram que 80% das dores de garganta são causadas por vírus, nas quais os antibióticos não são eficazes.

Eurico Silva, médico de família e coordenador do Programa de Apoio à Prescrição de Antibióticos do ACES Baixo Vouga, deixa o alerta: “Todos os anos morrem 700 mil pessoas devido à resistência aos antibióticos e o cenário pode complicar-se ainda mais no futuro, tal como mostram as previsões realistas e assustadoras da Organização Mundial de Saúde, que nos diz que se o consumo de antibióticos se mantiver nos números atuais, a resistência aos mesmos, e consequente falha no tratamento, vai ser responsável pela morte de 10 milhões de pessoas até 2050”.

Referindo-se à situação em Portugal, Eurico Silva conclui: “anualmente, morrem mais pessoas em Portugal devido a infeções associadas aos cuidados de saúde – falamos de bactérias resistentes – do que por acidentes de viação. O assunto é sério e muito preocupante e está na hora de fazermos alguma coisa para reverter esta situação. É tempo de sermos conscientes e alertar o familiar, o amigo ou o conhecido para este problema e tentar evitar o consumo de antibióticos de forma frequente e desnecessária porque, mais uma vez, relembramos que os antibióticos não são eficazes nas infeções causadas por vírus, situações onde costumam ser recorrentemente utilizados”.

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Editorial | Jornal Médico
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