As terapêuticas tópicas como primeira abordagem
DATA
27/11/2020 13:52:05
AUTOR
Jornal Médico
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As terapêuticas tópicas como primeira abordagem

A apresentação de Paulo Ferreira – “Utilização da terapêutica tópica a longo prazo no tratamento da psoríase em placa” – teve como referencial um estudo (Segaert S. et al, The Journal of Dermatological Treatment, 2020) sobre a gestão da psoríase a nível de eficácia, segurança, e de adesão terapêutica e cujas conclusões sugerem como melhorar outcomes.

O palestrante começou por lembrar que “cerca de 80% dos doentes apresenta formas ligeiras a moderadas da doença, cuja abordagem terapêutica deve ser essencialmente tópica”. No tratamento a longo prazo com este tipo de terapêutica, que se encontra amplamente disponível na prática clínica, devem ser considerados vários aspetos, dos quais foram abordados dois: os objetivos terapêuticos a longo prazo e a adesão ao tratamento.

 Os objetivos terapêuticos a longo prazo, por sua vez, visam: eficácia, a qualidade de vida do doente, a minimização dos riscos de segurança, a perspetiva do doente, a gravidade da doença e a rapidez de resposta do tratamento.

Existem várias ferramentas de avaliação clínica da psoríase, sendo a mais conhecida o Índice da Gravidade da Psoríase por Área (PASI). No entanto, defendeu o preletor, “no contexto do tratamento da psoríase ligeira a modera, esta ferramenta poderá não ser a mais indicada, sendo mais recomendadas o Índice de Qualidade de Vida em Dermatologia (DLQI) ou o Physician Global Assessment (PGA)”.

Foram precisamente estas ferramentas as usadas e recomendadas no estudo que serviu de referência e cujos scores, considerados pelos autores como aqueles que se devem ambicionar alcançar, são o PGA 0/1, correspondente a pele limpa ou quase limpa, e DLQI 0/1, que equivale a uma excelente qualidade de vida e aceitação do doente.

O outro aspeto destacado pelo coordenador da Unidade Psoríase do Hospital CUF Descobertas diz respeito à taxa de adesão às terapêuticas tópicas que são genericamente baixas, sendo particularmente baixa a taxa de adesão à corticoterapia (cerca de 40%). Como possíveis explicações para este fenómeno, identificou a alta frequência da aplicação exigida pelo tratamento, a formulação do tratamento e a necessidade de múltiplas terapêuticas.

Sobre estas hipotéticas razões, teceu algumas considerações. Relativamente à primeira razão elencada, realçou que “a adesão e persistência às terapêuticas será melhor nos regimes mais simples e cómodos”. Desta forma, referenciando os autores do artigo, referiu que “os regimes posológicos mais recomendados na fase de indução devem consistir na aplicação tópica uma vez por dia, seguido de uma ou duas vezes por semana na fase de manutenção”. Sobre as formulações do tratamento, defendeu a existência de “preparados comerciais simples, convenientes e adaptados à respetivas zonas anatómicas”.  No que diz respeito à necessidade de múltiplas terapêuticas, o especialista aconselhou dar primazia às terapêuticas de associação com vários princípios como calcipotriol/dipropoionato de betametasona, quando possível, por forma a minimizar os riscos de erros nas posologias e facilitar a adesão à terapêutica pelos doentes. Como resumo, reiterou que, dada a natureza crónica da psoríase, é fundamental adotar terapêuticas eficazes, seguras e adequadas aos doentes a longo prazo e, para este efeito, as terapêuticas tópicas devem ser a primeira abordagem.

Uma oportunidade de ouro
Editorial | Nuno Jacinto
Uma oportunidade de ouro

O ano que agora terminou foi sem dúvida atípico, fora do normal e certamente ficará para sempre na nossa memória individual e coletiva. Mas porque, apesar de tudo, há tradições que se mantêm, é chegada a hora de fazer um balanço de 2020 e perspetivar 2021.

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