Psoríase: razões para o tratamento a longo prazo
DATA
27/11/2020 13:57:32
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Jornal Médico
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Psoríase: razões para o tratamento a longo prazo

“Porquê tratar a pele saudável?”. Esta foi a questão subjacente à segunda apresentação do dermatologista Paulo Ferreira, no simpósio satélite dedicado à psoríase, com o Leo Pharma, no 1.º Congresso Virtual de Dermatologia e Venereologia. Na resposta ao tema proposto, foram explorados os mecanismos fisiopatológicos subjacentes às recidivas e que justificam o tratamento a longo prazo da psoríase.

“A psoríase é uma doença crónica que compreende um conjunto de fenótipos que necessitam constantemente de tratamento, mesmo quando as manifestações não são percetíveis clinicamente, e tende a recidivar após interrupção do tratamento, frequentemente nas mesmas zonas anatómicas”, começou por lembrar Paulo Ferreira. “Assim, a melhor forma de prevenir a ocorrência de recidivas e todos os seus impactos ao nível da qualidade de vida, custos de saúde e produtividade, é através dos tratamentos continuados a longo prazo”, defendeu. “Efetivamente”, reiterou, “as recidivas estão associadas a um maior absentismo e baixa produtividade laboral, mais gastos e deslocações a serviços de saúde e maior carga psicossocial e pior controlo da doença.”

”Dispomos de vários tratamentos adequados aos diferentes fenótipos mas os tratamentos tópicos destacam-se pelos excelentes resultados na doença ligeira e moderada”, realçou. “No entanto”, advertiu, “se a doença recidivar e agravar, pode haver necessidade de adaptar o tratamento ao estadio da doença com fototerapia e/ou os tratamentos sistémicos convencionais e biológicos.”

 “Portanto”, resumiu, “a gestão ótima e proativa da psoríase deve incluir uma estratégia para o alívio rápido e inicial dos sintomas que privilegia os tratamentos tópicos e uma estratégia a longo prazo para manter a remissão”. Esta gestão deve ser eficaz sem comprometer a segurança, deve minimizar o número de recidivas e a sua gravidade, e conduzir assim a uma melhor qualidade de vida. Assim, como parte integrante desta estratégia, o especialista preconizou o tratamento da pele sem lesão aparente.

“O fundamento lógico para o tratamento da pele sem lesão ativa assenta na inflamação latente, identificada pela presença de linfócitos TCD8 em lesões aparentemente tratadas, e que pode ser despoletada a qualquer momento, conferindo o caráter imprevisível desta doença”, justificou. “Além disso, as células estruturais da derme e epiderme da pele continuam a manifestar alterações genómicas e moleculares que constituem o substrato anatómico para as recidivas, mesmo em peles clinicamente limpas”, acrescentou.

Neste contexto, a combinação sinergística do calcipotriol e dipropoionato de betametasona desempenha um papel único devido ao efeito imunomodulador que permite manter o estado de remissão. Este estado de remissão consiste na ”prevenção da reativação das células dendríticas dérmicas, pela inibição da diferenciação dos linfócitos T inativos em linfócitos Th1 e Th17, os principais responsáveis pela reposta inflamatória exacerbada, e através da regulação do equilíbrio de linfócitos Th17/Treg”. Além disso, quando administrada na forma de espuma, esta combinação está associada a maior adesão e melhor qualidade de vida

Finalmente, concluiu a sua apresentação realçando que “deve ser dada atenção à fase inicial do tratamento inicial, mas também tratar a doença latente e prevenir a remissão para conseguir controlar a doença a longo prazo e manter a resposta de forma sustentável. Este tratamento deve ser eficaz, seguro e conveniente”.

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Editorial | Jornal Médico
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