Espuma de calcipotriol e dipropoionato de betametasona eficaz em regime terapêutico de manutenção
DATA
27/11/2020 14:04:37
AUTOR
Jornal Médico
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Espuma de calcipotriol e dipropoionato de betametasona eficaz em regime terapêutico de manutenção

Embora a eficácia a e conveniência da formulação combinada fixa do calcipotriol e dipropoionato de betametasona estejam já estabelecidas, permanecia a dúvida de saber se se mantinham num regime terapêutico proativo de manutenção. Foi este um dos pontos de partida para o estudo PSO-LONG abordado neste simpósio por Pedro Ponte, coordenador do Serviço de Dermatologia do Hospital Lusíadas Lisboa.

“Foi precisamente esta questão que o estudo PSO-LONG tentou responder”, introduziu o dermatologista. Este estudo comparou o tratamento on-demand reactivo com um tratamento proactivo de manutenção. O objetivo primário foi saber o tempo até recidiva dos dois grupos e os objetivos secundários foram saber o número de dias em remissão de cada grupo e quantos recidivas teriam durante o período de 52 semanas.

Foram incluídos 650 doentes com psoríase, dos quais a maioria (82%) tinha doença moderada, equivalente a um score de PGA=3 e um valor médio de mPASI=8 e uma média da área de superfície corporal afetada BSA=8%. Os doentes começaram o estudo com um período de washout de quatro semanas, seguindo-se uma fase openlabel em que todos os doentes foram tratados com a espuma de calcipotriol e dipropoionato de betametasona nas respetivas lesões durante quatro semanas consecutivas. Só seguiram para a fase de randomização os doentes que não tiveram PGA ≥2 ou não tivessem apresentado uma redução de pontos no score de PGA. Chegaram à aleatorização 545 doentes que foram aleatorizados 1:1 para o grupo reativo ou para o grupo proativo.

No grupo reativo, os doentes receberam espuma de placebo suas vezes por semana e se recidivassem recebiam a espuma de calcipotriol e dipropoionato de betametasona diariamente durante quatro semanas consecutivas. O grupo proactivo recebia a espuma de calcipotriol e dipropoionato de betametasona duas vezes por semana e se recidivassem recebiam a mesma associação diariamente durante quatro semanas consecutivas. Terminada a fase de manutenção seguiu-se a fase de follow up de oito semanas sem terapêutica para vigilância de rebounds e efeitos adversos.

Relativamente à eficácia, o intervalo mediano até à primeira recidiva foi 26 dias mais longo no braço que seguiu o regime proactivo (56 dias versus 30 dias). Também neste braço os doentes tiveram 42 dias adicionais por ano de remissão e observou-se uma taxa de redução de recidivas de 46 % em relação ao grupo que seguiu o regime reativo.

A taxa de eficácia no tratamento de recidivas, traduzida na redução de dois pontos no índice PGA ou pele limpa/quase limpa, foi de 80% na fase open-label (75.9% no braço proactivo versus 81% no grupo reativo). No entanto, clarificou o especialista, “estes benefícios no braço que seguiu o regime proativo foram à custa de 37.5 dias adicionais de tratamento por ano.”

Como conclusão, referiu que os resultados promissores demonstram que a utilização bissemanal da espuma com calcipotriol e dipropoionato de betametasona foi superior nos endpoints definidos de eficácia em que este esquema posológico foi bem tolerado.

A mudança necessária
Editorial | Jornal Médico
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Os últimos meses foram vividos por todos nós num contexto absolutamente anormal e inusitado.

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