Estudo indica que a utilização da prescrição eletrónica trouxe eficiências ao SNS
DATA
29/01/2021 09:16:15
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Jornal Médico
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Estudo indica que a utilização da prescrição eletrónica trouxe eficiências ao SNS

A Associação Portuguesa de Cuidados de Saúde ao Domicílio (APCSD) e a Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa (ENSP-NOVA), realizaram um estudo, o primeiro no mundo, sobre o impacto da prescrição eletrónica médica destinada aos Cuidados Respiratórios Domiciliários (PEM-CRD), nos doentes, no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e nos prestadores de Cuidados Respiratórios Domiciliários (CRD).

O estudo, realizado ao longo dos últimos dois anos, analisou as PEM-CRD emitidas entre 2014 e 2018 no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central (CHULC) e permitiu confirmar que a implementação da ferramenta de prescrição digital PEM-CRD e, a consequente desmaterialização do processo administrativo que lhe está associada, aumentou a eficiência e a transparência do sistema e a otimização de processos, e tornou possível a obtenção de dados muito úteis à compreensão do modelo de prestação dos CRD.

Além de permitir monitorizar a evolução da prevalência de terapias, a análise à PEM-CRD permitiu identificar janelas de oportunidade para melhorar substancialmente o percurso do doente em tratamento crónico com terapias respiratórias domiciliarias.

Este estudo veio mostrar, por um lado, que os doentes ainda estão muito dependentes dos contextos hospitalares para renovarem a sua prescrição e, por outro, que existem doentes sujeitos a mais do que uma terapia de CRD.

As oportunidades de melhoria centram-se, nomeadamente através da criação de um programa integrado de gestão do doente respiratório crónico, uma vez que, atualmente, a renovação das prescrições ainda é feita em diferentes momentos e em diferentes contextos clínicos (hospitalar e cuidados de saúde primários), porque é feita de acordo com a terapia prescrita e não de acordo com a situação clínica do doente.

Através da informação obtida na base de dados da PEM-CRD e da análise da prevalência e do número de prescrições de pessoas com doenças respiratórias crónicas, que receberam cuidados respiratórios ao domicílio na área metropolitana de Lisboa no período 2014-2018, os resultados demonstraram que:

  • Em 2018, cerca de 70% das prescrições diziam respeito a terapia de ventilação e 24% a oxigenoterapia (principalmente oxigenoterapia de longa duração, 17%), aerossolterapia (3,9%) e outros tratamentos (2,3%);
  • Após a implementação da PEM-CRD houve uma diminuição significativa nas prescrições de CRD em 2017 e 2018;
  • Em relação ao tipo de prescrição, as prescrições iniciais diminuíram significativamente de 65% em 2014 para 17% em 2018, enquanto se registou um aumento nas prescrições de continuação/renovação de 34% para 78%, no mesmo período;
  • O número total de prescrições entre 2014 e 2018, diminuiu em 78%, uma redução significativa independentemente do tipo e subtipo de tratamento, tipo de prescrição e contexto clínico;
  • A maioria das prescrições (> 50%) continua a ser feita em contexto hospitalar, embora em 2014 esse valor fosse superior (62%);
  • Apesar do número de pessoas que necessitam de prescrições para CRD ter permanecido globalmente estável entre 2014 e 2018 – números que estão em linha com o que se passa no resto dos países europeus – o número de prescrições sofreu uma quebra significativa a partir de 2016 (> 75%, p 0,05), uma queda justificada pela implementação da PEM-CRD;
  • A maioria das pessoas a receberem CRD são do sexo masculino (65,8%), com uma média de idade de 63,9 anos (maioritariamente entre 46 e 80 anos);
  • A oxigenoterapia prevalece na população mais idosa (média de idade 66 anos), em comparação com os doentes sujeitos a ventiloterapia (média de 63,1 anos).

O facto de a maioria das prescrições dizerem respeito a doentes em ventilação domiciliária deve-se, sobretudo, à faixa etária da população, à elevada prevalência de obesidade e, ainda, ao investimento no diagnóstico precoce da síndrome da apneia do sono, apesar de existirem poucos estudos epidemiológicos em Portugal relacionados com esta patologia.

O estudo resultou de uma análise retrospetiva secundária da base de dados da PEM-CRD entre 2014 e 2018, relativa às prescrições de utentes de CRD residentes na área geográfica de influência do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC).

Mais detalhes sobre a metodologia podem ser encontrados em https://www.mdpi.com/2071-1050/12/23/9859

Crónicas de uma pandemia anunciada
Editorial | Jornal Médico
Crónicas de uma pandemia anunciada

Era 11 de março de 2020, quando a Organização Mundial de Saúde declarou o estado de Pandemia por COVID-19 e a organização dos serviços saúde, como conhecíamos até então, mudou. Reorganizaram-se serviços, redefiniram-se prioridades, com um fim comum: combater o SARS-CoV-2 e evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde, que, sem pandemia, já vivia em constante sobrecarga.

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