APMGF apela ao recurso do SNS24 e cuidados primários para aliviar urgências
DATA
29/01/2021 12:27:50
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Jornal Médico
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APMGF apela ao recurso do SNS24 e cuidados primários para aliviar urgências

A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar apelou aos utentes para recorrerem sempre primeiro aos cuidados de saúde primários e ao SNS24, seja qual for o sintoma, sublinhando que essa deve ser a porta de entrada no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“A porta de entrada dos doentes no sistema, no Serviço Nacional de Saúde (SNS), tem de ser os cuidados de saúde primários e não os serviços de urgência hospitalares, que têm de ser reservados para situações efetivamente urgentes e emergentes”, defendeu Nuno Jacinto, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF).

O responsável falou depois de, após dias de filas com dezenas de ambulâncias a aguardar nas urgências do Hospital de Santa Maria, o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) ter anunciado que será feita uma pré-triagem aos doentes para tentar evitar a acumulação de veículos.

Segundo disse na quinta-feira Daniel Ferro, uma equipa do INEM, acompanhada por uma equipa da Proteção Civil, passará a fazer uma pré-triagem das situações e, se todos os casos que não justifiquem o acesso à urgência hospitalar serão enviados para o ACES de Sete Rios e de Odivelas.

O CHULN já tinha apelado à população para recorrer ao transporte de ambulância apenas em situações justificadas, dirigindo-se ao centro de saúde nas situações de ausência ou sintomas ligeiros”.

Em declarações hoje à agência Lusa, o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar reconheceu que os serviços nos cuidados de saúde primários (centros de saúde) estão assoberbados, mas afirmou que “são eles que têm a função de atender doentes agudos que poder ser aí tratados, evitando sobrecarregar as urgências hospitalares”.

“Os cuidados de saúde primários, apesar de estarem assoberbados, têm obviamente essa função, e estão disponíveis para isso”, afirmou.

Nuno Jacinto sublinhou ainda a necessidade de os doentes, além dos cuidados de saúde primários, recorrerem ao SNS24, que não serve apenas para fazer a triagem de casos covid-19 ou com suspeita de covid-19.

“Temos uma linha de saúde, a SNS24, que, com todas as suas dificuldades, funciona e dá este apoio, tentando da melhor forma possível encaminhar estes doentes”, acrescentou.

Nuno Jacinto defende que o recurso indevido às urgências hospitalares "não é de agora”, mas que “a pandemia veio sublinhar” este problema e a necessidade de ter resposta ao nível dos cuidados de saúde primários.

“Sempre estivemos continuamos a fazer isso [atender urgências de doentes agudos que podem evitar ir às urgências], claro que graças à nossa sobrecarga. Esta tem de ser uma realidade para melhor gerirmos este percurso do doente no SNS”, disse.

Sobre a eventual falta de resposta em horários alargados nos centros de saúde, o responsável diz que a resposta em atendimento urgente a doentes agudos continua a ser dada nos cuidados de saúde primários e que “os horários vão variando e são adaptados consoante as necessidades”.

“O que existe nos cuidados de saúde primários são áreas dedicadas a doentes com problemas respiratórios, para onde são encaminhados esses doentes, e essa oferta vai sendo ajustada conforme a procura” e o seu funcionamento (horário e profissionais) “vai sendo ajustado e monitorizado" pelos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES).

“A questão é que há doentes que passam fora deste radar e acabam por ser enviados diretamente à urgência hospitalar, ou porque tiveram demora na resposta do SNS 24 ou porque não conseguiram contactar a sua unidade de saúde, por algum motivo, e acabam por ir diretamente à urgência hospitalar e isso origina esta situação que estamos a viver”, afirmou.

Nuno Jacinto frisa que “não é só em Lisboa e Vale do Tejo que esta situação acontece: “No Alentejo, onde trabalho, também tem acontecido com enorme frequência, temos os hospitais lotados e as urgências cheias e urgências sem capacidade de receber mais doentes”.

“Sempre existiu ao longo dos anos nos cuidados de saúde primários o atendimento a nível de situações agudas. Não deixaram de funcionar, mas nós tivemos de nos desdobrar em dois atendimentos diferentes - circuito para covid-19 ou suspeitos e circuito não covid-19”, disse o responsável, insistindo: “Mas essas consultas continuam a funcionar, a dar uma resposta complexa, difícil e que nos exigem um enorme esforço, mas os doentes com sintomas ligeiros a moderados é aí que devem recorrer inicialmente para serem avaliados”.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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