Tratamento de doenças valvulares cardíacas cresce apenas 3% em 2020
DATA
01/02/2021 17:42:29
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Jornal Médico
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Tratamento de doenças valvulares cardíacas cresce apenas 3% em 2020
O Registo Nacional de Cardiologia de Intervenção (RNCI), um projeto da Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC), divulgou que, em 2020, foram realizados 884 procedimentos valvulares cardíacos, o equivalente a um crescimento de apenas três por cento face ao ano anterior.

 

“O número de salas de hemodinâmica em Portugal é limitado e estamos na cauda da Europa nessa matéria, o que se agrava com as dificuldades dos centros nacionais em recrutarem especialistas nestas áreas e disponibilizarem camas para estes tratamentos minimamente invasivos”, afirma o coordenador do RNCI, Rui Campante Teles, em comunicado.

Acrescenta que “enquanto na Europa se dá um enorme crescimento destes tratamentos, em Portugal, há uma contração da atividade clínica na maioria dos hospitais do SNS, apenas mitigada pela abertura em 2020 de alguns novos centros”.

Entre janeiro e dezembro de 2020 foram implantadas, por via percutânea, 817 válvulas aórticas e realizados 67 procedimentos mitrais, numa incidência total de 86 procedimentos por milhão de habitante.

O coordenador do RNCI alerta que, no atual contexto pandémico, os cardiologistas de intervenção temem que os doentes não recebam o tratamento mais adequado. “Estamos preocupados porque apenas conseguimos dar acesso, no ano passado, a uma fração dos doentes portugueses com doença valvular cardíaca grave, perdendo a hipótese de lhes proporcionar uma melhoria na qualidade e quantidade de vida”, explica.

“Devido à idade e ao historial médico, as pessoas com doenças cardíacas estruturais, tais como estenose aórtica grave ou regurgitação mitral, são uma população de alto risco”, comenta o coordenador da campanha Corações de Amanhã, Lino Patrício, em nota enviada.

Conclui que “é importante os doentes não adiarem a sua intervenção, durante a pandemia Covid-19, uma vez que correm o risco de poder desenvolver estados clínicos graves, com consequências nefastas para a sua saúde”.

 

Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.