Investigadores monitorizam reações a medicamentos em doentes com Covid-19
DATA
05/02/2021 10:01:13
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Jornal Médico
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Investigadores monitorizam reações a medicamentos em doentes com Covid-19

Uma equipa de investigadores do Porto está a desenvolver um projeto de monitorização ativa da segurança da terapêutica utilizada no contexto da Covid-19 nos hospitais do distrito do Porto.

 

“Um dos objetivos deste estudo, de caráter multicêntrico, é desenvolver uma base de dados de reações adversas aos medicamentos (RAM) em doentes com Covid-19”, explicam os investigadores, em comunicado.

Acrescentam que se pretende também caracterizar o “perfil farmacoterapêutico antes da infeção por SARS-CoV-2 em doentes com Covid-19, de modo a avaliar o efeito favorável, desfavorável ou neutro desse perfil no curso da infeção, em termos de suscetibilidade, gravidade e desfecho”.

Este projeto intitulado de “Intensive Drug Monitoring Covid-19” decorre no âmbito da atividade desenvolvida pela Unidade de Farmacovigilância do Porto (UFPorto), liderada por Jorge Polónia, investigador da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e do CINTESIS.

De acordo com um artigo publicado na Ata Médica Portuguesa (“O Papel da Farmacovigilância em Contexto de Pandemia por Covid-19”), o projeto irá recolher dados sobre as RAM de forma retrospetiva e prospetiva, sendo que nesta última irá permitir detetar “sinais de risco em tempo real”.

“As metodologias de monitorização ativa poderão contribuir para se ter uma noção mais exata da realidade das RAM associadas à covid-19 na prática clínica, nomeadamente no que diz respeito aos medicamentos usados no tratamento”, mencionam os autores do estudo.

Até à data, referem os investigadores, apenas os fármacos remdesivir e dexametasona foram aprovados para o tratamento da Covid-19 pelas autoridades reguladoras, com indicações muito restritas e, “no caso do remdesivir, com resultados contraditórios, justificando uma monitorização atenta”.

“Um dos grandes obstáculos à monitorização das RAM em doentes infetados será a evolução para um estado crítico. Outro fator que pode dificultar um melhor conhecimento das RAM é a idade dos doentes”, pode ler-se em nota enviada.

Além de Jorge Polónia, participam neste projeto os investigadores Renato Ferreira da Silva, Inês Ribeiro Vaz, Ana Marta Silva e Joana Marques (CINTESIS/FMUP) e Manuela Morato, da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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