Quase metade de infetados com imunidade passados dez meses
DATA
18/02/2021 10:08:37
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Jornal Médico
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Quase metade de infetados com imunidade passados dez meses

Um estudo realizado pela Ordem dos Médicos, Universidade Nova e várias fundações parceiras revelou que quase metade das pessoas que foram infetadas com o novo coronavírus tinham alguma imunidade dez meses depois do contágio. Metade das pessoas analisadas são profissionais de saúde e cerca de um terço utentes e funcionários de residências para idosos.

A investigação demonstrou que das cerca de 600 pessoas analisadas desde março de 2020, 42% mantinham a imunidade. O infeciologista Francisco Antunes revela, em comunicado, que, nos doentes hospitalizados (6% da amostra), “menos de 10% apresentam-se sem imunidade dez meses depois de serem infetados, o que indica, regra geral, uma imunidade mais robusta e duradoura do que nos indivíduos com sintomas ligeiros ou assintomáticos”.

A investigadora Helena Canhão, da Universidade Nova de Lisboa, afirma que o estudo, “por acompanhar as mesmas pessoas ao longo de vários meses, poderá permitir identificar fatores preditivos que podem influenciar a imunidade que as pessoas desenvolvem, e esse trabalho continua”.

De acordo com o estudo, outra das tendências verificadas foi que a imunidade se revelou maior nas pessoas da amostra com mais idade, um dos aspetos que levanta mais questões do que as respostas que já existem.

“Quando a pessoa desenvolve anticorpos, isso depende da resposta imune, da agressividade do agente infeccioso e de estar mais ou menos exposta à carga viral”, explica Helena Canhão.

A investigadora assume que existem vários fatores que se desconhecem em relação ao SARS-CoV-2 e que não permitem ainda ter certezas quanto à sua relação com os hospedeiros humanos.

“Pode acontecer que mesmo em infeções com poucos sintomas, as pessoas têm um nível de anticorpos que lhes permita estarem protegidas de reinfeções ou de infeções com mais gravidade. É isso que ainda estamos a tentar perceber”, indica.

Das 608 pessoas envolvidas no estudo, 24% não tiveram anticorpos e dos 76% restantes, alguns foram-nos perdendo ao longo do tempo e em outras a quantidade de anticorpos aumentou de análise para análise. Os assintomáticos representam 19% da amostra e 44% têm mais de 50 anos, pode ler-se em nota enviada.

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Editorial | Joana Romeira Torres
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