Um em cada três profissionais de saúde apresentam níveis de “burnout” severo
DATA
22/02/2021 10:19:14
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Jornal Médico
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Um em cada três profissionais de saúde apresentam níveis de “burnout” severo
Um estudo da Universidade Portucalense, desenvolvido pelo REMIT (Research on Economics, Management and Information Technologies) conclui que um em cada três profissionais de saúde apresentam níveis de "burnout" severo. Os altos níveis de contágio, e consequente rutura do setor de saúde estão a provocar efeitos colaterais para além da exaustão física em quem está na linha de frente, é o caso de síndromes emocionais.

 

Em termos de percentagens, 58,2% apresentam elevada exaustão emocional (esgotamento emocional traduzido por um grande cansaço no trabalho, acompanhado de uma sensação de vazio e pela dificuldade em lidar com as emoções dos outros), 54,6% apresentam uma elevada perda de realização pessoal (sentimento de insucesso profissional) e 33,7% dos inquiridos apresentam um elevado nível de despersonalização (atitude mais distanciada na prestação de cuidados).

Com o título “Resiliência e Burnout em Organizações de Saúde”, o estudo liderado pelos investigadores Sofia Gomes e Pedro Ferreira, expõe “que níveis altos de 'burnout' conduzem habitualmente a menor envolvimento com o trabalho e índices inferiores de produtividade e performance, e identificam a resiliência como fator determinante no combate à esta síndrome”, pode ler-se em nota enviada.
 
“Quanto maior o nível de recuperação das adversidades e adaptação a situações de tensão e stress, maiores os níveis de realização pessoal, e consequentemente, menores os níveis de exaustão e de despersonalização”, informam os investigadores no relatório.
 
Para o estudo foram inquiridos 196 profissionais de saúde, entre novembro de 2020 e janeiro de 2021, dos quais, 77% são mulheres, 73,3% tem menos de 40 anos, e 53,1% tem filhos.

Relativamente à profissão, 73% são enfermeiros, 24,5% são médicos, sendo que 55,6% exercem a sua profissão há mais de 11 anos e nos últimos seis meses trabalharam em média 47,6 horas, em que o número máximo registado foi de 140 horas semanais.

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Editorial | Gil Correia
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