Crianças com asma e alergias não correm maior risco de contrair Covid-19
DATA
23/02/2021 11:15:07
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Jornal Médico
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Crianças com asma e alergias não correm maior risco de contrair Covid-19
Um estudo de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde concluiu que a asma não parece constituir um fator de risco para Covid-19 em crianças, mesmo nas que também são obesas.

“Estes dados, que resultam de uma revisão de artigos científicos publicados a nível mundial, permitem respirar de alívio. De facto, os estudos realizados até agora indicam que as crianças com asma, bem como as que sofrem de atopia (mais predispostas a alergias), não são mais afetadas pela Covid-19”, sublinham os investigadores, em comunicado.

José Laerte Boechat e Luís Delgado, investigadores do CINTESIS e da FMUP, sublinham, contudo, que “nem tudo são boas notícias. Se é verdade que as crianças, com ou sem asma, não estão em maior risco e têm menos tendência a apresentar sintomas, também é verdade que continuam a transmitir o vírus, mesmo quando são assintomáticas”.

Sublinham ainda que “este risco já está a fazer soar as campainhas em vários países, sobretudo quando se pondera o regresso às aulas presenciais”.

“O regresso às escolas levanta sérias preocupações, pois as crianças sem sintomas podem funcionar como vetores de disseminação da doença na escola e na família”, alertam os autores do estudo publicado no International Journal of Environmental Research and Public Health.

Embora o assunto seja controverso, estes especialistas defendem que a identificação de crianças assintomáticas deve ser parte da estratégia contra a Covid-19, através de ações de rastreio, nomeadamente nos casos de surtos.

No que diz respeito às crianças com asma, consideram que o foco deve estar no controlo da doença, promoção da adesão à medicação e na estratificação do risco individual.

“Só assim as crianças com asma poderão regressar às escolas de forma segura”, afirmam os investigadores.

Os investigadores referem ainda que a vacinação das crianças contra a SARS-CoV-2 deverá ser “um passo crítico” no combate à pandemia, quer para sua própria proteção, quer para suportar a imunidade de grupo.

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