Falta de recursos e comunicação pouco clara dificultaram resposta à pandemia no espaço lusófono
DATA
15/03/2021 10:53:35
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Jornal Médico
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Falta de recursos e comunicação pouco clara dificultaram resposta à pandemia no espaço lusófono

De acordo com os resultados de um inquérito aplicado a profissionais de saúde, académicos e organizações não-governamentais, a falta de recursos e a comunicação pouco clara dirigida aos cidadãos dificultaram a resposta à Covid-19 no espaço lusófono.

O inquérito foi realizado no âmbito de um estudo, financiado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e coordenado por André Dias Pereira, investigador do Instituto Jurídico e professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (FDUC).

A investigação centrou-se na recolha e análise de dados relativos à preparação e resposta à pandemia de Covid-19 em Angola, Brasil, Moçambique, Portugal e Região Administrativa Especial de Macau, com o objetivo de “propor soluções de políticas de saúde pública, permitindo a construção de sistemas de resposta eticamente adequados às dificuldades apresentadas em situações de pandemia”, como explica André Dias Pereira.

Os inquiridos no estudo defendem que o investimento na prevenção, além de ser eficaz no combate à pandemia, pode ser também um dos vetores onde deverão ser concentrados os recursos.

Intitulado “Responsibility for Public Health in the Lusophone world: doing justice in and beyond the COVID emergency”, este projeto “combina uma análise profunda à mais recente legislação e bibliografia sobre o assunto, com dados obtidos por meio de um questionário, endereçado a um número significativo de participantes, por forma a reunir diferentes experiências e analisar as dificuldades éticas identificadas na resposta à pandemia, que são problemas que vão perseguir e condicionar as opções políticas dos próximos anos e cujas repercussões ainda estão por avaliar; sem deixar de mencionar o catastrófico impacto económico da pandemia, transversal a todos os Estados”, realça André Dias Pereira.

No dia 25 de março, às 9 horas, será apresentada uma conferência final do projeto em formato online, onde serão apresentados todos os resultados obtidos pela equipa de investigação, que integra académicos, juristas, advogados e especialistas em bioética.

No dia 25 de março, às 9 horas, será apresentada uma conferência final do projeto em formato online, onde serão apresentados todos os resultados obtidos pela equipa de investigação, que integra académicos, juristas, advogados e especialistas em bioética.

Os resultados serão posteriormente publicados num livro branco, dirigido às comunidades lusófonas e agências dos governos dos países e região administrativa especial envolvidos, onde são apresentadas propostas e recomendações que possam ser implementadas na prática para potenciar os sistemas de saúde, preparando-os para dar resposta a situações de emergência de saúde pública.

Crónicas de uma pandemia anunciada
Editorial | Jornal Médico
Crónicas de uma pandemia anunciada

Era 11 de março de 2020, quando a Organização Mundial de Saúde declarou o estado de Pandemia por COVID-19 e a organização dos serviços saúde, como conhecíamos até então, mudou. Reorganizaram-se serviços, redefiniram-se prioridades, com um fim comum: combater o SARS-CoV-2 e evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde, que, sem pandemia, já vivia em constante sobrecarga.

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