Uma abordagem que pode ser seguida pela MGF
DATA
16/03/2021 11:24:58
AUTOR
Jornal Médico
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Uma abordagem que pode ser seguida pela MGF

As novas recomendações portuguesas para o tratamento da psoríase apresentam uma abordagem compreensível que faz com que possam ser seguidas pela Medicina Geral e Familiar (MGF). A visão é do médico de família Rui Cernadas, que deixa um apelo à especialidade para que procure ativamente o diagnóstico da psoríase.

A propósito da relevância destas recomendações para a MGF, recorda que a psoríase é uma doença crónica relativamente comum, estimando-se que existam em Portugal 250 a 300 mil doentes. “Com este tipo de prevalência, se pensássemos que um médico de família, em vez de ter 1500 doentes inscritos, tivesse 1500 doentes psoriáticos inscritos, precisaríamos de cerca de 200 médicos de família só para garantir assistência clínica à psoríase”, realça.

A propósito, lamenta que esta doença seja menorizada pelos doentes, o que – diz – contribui para o subdiagnóstico e, muitas vezes, “prejudica seriamente” a referenciação da MGF para a especialidade de Dermatologia.

E deixa um “apelo” aos colegas de MGF para procurarem ativamente este diagnóstico, para aproveitarem oportunisticamente estas lesões para as avaliar e, se for necessário, confirmar o diagnóstico junto da Dermatologia, “para que os doentes possam ser tratados devidamente”.

No seu entender, outra nota importante é o facto de “muitos doentes e muitos clínicos pensarem na psoríase como uma doença de pele que tem de ser tratada com soluções e medicamentos tópicos”, quando se sabe “que apenas são úteis em formas de abrangência dermatológica muito pouco extensa e em circunstâncias em que os sintomas não sejam suficientemente exacerbados”.

Rui Cernadas chama ainda a atenção para o facto de, no internato de especialidade de MGF, “infelizmente”, não haver a valência de Dermatologia como área de conhecimento obrigatório. “As novas soluções medicamentosas hoje disponíveis para o tratamento da psoríase envolvem tratamentos biológicos que a nossa prática clínica não conhece diretamente”, lamenta.

You've got mail! - quando um aumento da acessibilidade não significa melhoria da acessibilidade
Editorial | António Luz Pereira, Direção da APMGF
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