A expectativa de melhorar a abordagem global dos doentes
DATA
16/03/2021 12:37:19
AUTOR
Tiago Torres, membro do Grupo Português de Psoríase
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A expectativa de melhorar a abordagem global dos doentes

Recentemente, foram publicadas as recomendações portuguesas para o tratamento da psoríase com terapêutica biológica no European Journal of Dermatology, da autoria do Grupo Português de Psoríase.

As últimas recomendações portuguesas eram de 2012 e, desde então, observaram-se enormes avanços no tratamento da psoríase, especialmente nas terapêuticas biológicas, resultante do conhecimento cada vez mais aprofundado da fisiopatologia desta doença inflamatória. Havia, então, a necessidade de fazer uma atualização dessas recomendações, com o objetivo de ajudar os dermatologistas na escolha da terapêutica mais indicada para os seus doentes com psoríase em placas, com ou sem artrite psoriática.  

A recente evolução terapêutica na psoríase trouxe não só mais opções, mas essencialmente opções mais eficazes e mais seguras. De facto, atualmente, temos ao nosso dispor fármacos extremamente eficazes e seguros, capazes de controlar a doença quase por completo, ou mesmo por completo, na grande maioria dos doentes, permitindo uma excelente qualidade de vida.

Estas recomendações começam por identificar os doentes com indicação para terapêutica biológica. Além dos doentes classicamente definidos como tendo psoríase em placas moderada-a-grave, recomendou-se a utilização destas terapêuticas em doentes que, apesar de não apresentarem uma extensão elevada de lesões de psoríase, estas localizam-se em zona de elevado impacto (face, palmo-plantar, unhas, couro cabeludo ou genitais), logo com um enorme impacto na qualidade de vida, o que se tratou de uma novidade relativamente às recomendações anteriores.

No entanto, talvez a principal novidade destas recomendações tenha sido a inclusão de objetivos terapêuticos a alcançar com a terapêutica biológica. E foram bastante ambiciosos. De facto, com as terapêuticas atuais, deve ser nosso objetivo a resolução completa ou quase completa das lesões (resposta PASI 90 ou PASI absoluto<2), uma vez que é esta resposta que se associa a um impacto mínimo da doença na qualidade de vida (DLQI 0/1). Assim, a eficácia foi, sem dúvida, um dos principais fatores influenciadores da escolha da terapêutica biológica.

Um outro fator considerado para escolha das terapêuticas foi a presença de artrite psoriática (periférica e/ou axial). Cerca de 30% dos doentes com psoríase desenvolvem artrite psoriática, pelo que é inevitável tê-la em conta na escolha terapêutica. Por fim, foram ainda feitas algumas considerações para casos especiais, particularmente relacionados com o perfil de segurança e contraindicações das diferentes classes terapêuticas (pela presença de certas infeções ou comorbilidades).

Também a definição de falência primária e secundária, e como lidar com esta falta de eficácia, foi abordada. Com o elevado número de opções terapêuticas atuais, este tópico reveste-se de elevada importância na prática clínica, sendo que a alteração do mecanismo de ação, ao contrário de uma exploração continua do mesmo, foi indicada.

Por fim, e sendo este tópico de uma extrema importância, foi recomendada a abordagem mais indicada no pré-tratamento (rastreios de infeções, por exemplo), e na monitorização do tratamento. Neste último, incluiu-se algumas recomendações na abordagem das comorbilidades associadas à psoríase, promovendo-se um tratamento multidisciplinar dos doentes mais complexos.

A expectativa é que estas recomendações melhorem o tratamento dos doentes com psoríase, diminuindo a taxa de subtratamento, personalizando a escolha, e melhorando a abordagem global dos doentes, muitas vezes, de uma forma multidisciplinar.

Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro
Editorial | Conceição Outeirinho
Preparados para o Futuro? // Preparar o Futuro

O início da segunda década deste século, foram anos de testagem. Prova intensa, e avassaladora aos serviços de saúde e aos seus profissionais, determinada pelo contexto pandémico. As fragilidades do sistema de saúde revelaram-se de modo mais acentuado, mas por outro lado, deu a conhecer o nível de capacidade de resposta, nomeadamente dos seus profissionais.