Nanopartícula desenvolvida na UC obtém designação de “medicamento órfão”
DATA
23/03/2021 12:19:42
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Jornal Médico
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Nanopartícula desenvolvida na UC obtém designação de “medicamento órfão”
Uma nanopartícula para o tratamento do mesotelioma maligno, um tipo de cancro raro que resulta da exposição a amianto, desenvolvida na Universidade de Coimbra (UC), obteve o estatuto de “medicamento órfão” da Agência Europeia do Medicamento (EMA) e da autoridade reguladora americana Food and Drug Administration (FDA). Este estatuto constitui fator facilitador de realização de ensaio clínico em doentes.

 

Em nota enviada, a UC explica que “os ‘medicamentos órfãos’ são fármacos orientados para o diagnóstico ou tratamento de doenças raras graves, apontadas como doenças órfãs, que afetam um reduzido número de pessoas em comparação com a população em geral”.

No mais recente trabalho, cujos resultados foram publicados na revista científica Nano Today, a equipa de João Nuno Moreira, docente e investigador do CNC e da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (FFUC), “desenvolveu e testou um protótipo de produção industrial da tecnologia PEGASEMP em condições GMP (do inglês, Boas Práticas de Fabrico), extensamente caracterizado em termos de propriedades físicas e químicas, demonstrando a segurança e eficácia antitumoral deste sistema de entrega de medicamentos”.

“Avaliou-se a segurança da nanopartícula em murganhos, ratos e cães de acordo com as normas de desenvolvimento de novos medicamentos para tratamento oncológico. A sua segurança foi efetivamente demonstrada”, relata o João Nuno Moreira.

Acrescenta que “foi possível demonstrar em modelo animal de cancro, pela primeira vez, a existência de uma nova porta de entrada que permite o acesso facilitado da nanopartícula desenvolvida a tumores sólidos, difíceis de tratar. Este acesso facilitado traduziu-se na inibição significativa do crescimento tumoral em modelo animal de mesotelioma humano, relativamente ao tratamento de primeira linha usado clinicamente nestes doentes”.

João Nuno Moreira destaca que “o nível de maturidade tecnológica do PEGASEMP assim como o conjunto de dados alcançados permitiram a obtenção da designação de medicamento órfão para tratamento do mesotelioma, passo importante para o desenvolvimento translacional do PEGASEMP, ou seja, para aplicação clínica”.

Sublinha que “é um contributo fundamental rumo à era da terapia personalizada e com impacto direto na qualidade de vida dos doentes”, adiantando que o passo seguinte da investigação incidirá na “realização de ensaios clínicos, mas para isso é necessário encontrar financiamento”, pode ler-se em comunicado.

Este estudo foi financiado por vários programas europeus, pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), Rede Nacional de Espetrometria de Massa, tecnológica TREAT U, SA, farmacêutica Bluepharma e Portugal Ventures, SA.

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