“É preciso tratar a pressão arterial por baixo do valor definido como hipertensão”
DATA
26/03/2021 10:05:45
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Jornal Médico
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“É preciso tratar a pressão arterial por baixo do valor definido como hipertensão”
“O controlo da Pressão Arterial. Que há de novo?”. Esta foi a questão subjacente à apresentação do cardiologista Fernando Pinto, assistente graduado sénior do Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga, no simpósio virtual promovido pela Tecnimede durante o 15.º Congresso Português de Hipertensão e Risco Cardiovascular Global. Na resposta ao tema proposto, foram exploradas as perspetivas atuais para otimizar o controlo da pressão arterial.

Fernando Pinto iniciou a sua apresentação fazendo um ponto de situação das doenças cardiovasculares na Europa. “Causam quase quatro milhões de mortos por ano e representam cerca de 45% de todas as mortes na Europa”, portanto, “as mortes por ano são praticamente o dobro de todas as mortes que se deram no mundo desde que se iniciou esta pandemia”, enquadrou, sublinhando que, de todos os fatores de risco, a pressão arterial sistólica elevada é o que mais contribui para as doenças cardiovasculares.

Focando-se nas guidelines europeias, sublinhou o facto de terem mantido a classificação da hipertensão arterial. “Um dos pontos chave da mudança destas guidelines foi que, não só, a partir de agora, é necessário tratar a pressão arterial para baixo do valor que é definido como hipertensão arterial, mas também foram definidos, de uma forma muito clara, objetivos de tratamento de pressão arterial”, explicou.

“Foi recomendado que o primeiro objetivo para todos os doentes seria reduzir a pressão arterial abaixo de 140/90 mmHg, com a finalidade de na maioria dos doentes conseguir trazer a pressão arterial abaixo dos 130/80 mmHg”, acrescentou que, em particular nos doentes com idade inferior a 65 anos, “a pressão arterial sistólica deverá manter-se entre 120-129 mmHg.”

Quanto aos doentes com idade superior a 65 anos, reiterou que, estes, devem manter a “pressão arterial sistólica entre os 130-139mmHg”, independentemente do nível de risco cardiovascular.

“Adicionalmente o objetivo da pressão arterial diastólica pode ser definido abaixo dos 80 mmHg, para todos os doentes hipertensos, e isto é, de alguma forma, semelhante ao que dizem as guidelines americanas, que preconizam reduzia a PA para valores inferiores a 130/80 mmHg em todos os doentes”, realçou.

No que diz respeito ao início do tratamento com anti-hipertensores, deu conta de que há algumas novidades”: “As recentes guidelines das principais sociedades científicas de HTA (europeias, americanas e internacional) recomendam que sejam preferidos os fármacos mais eficazes na redução da pressão arterial e, consequentemente, dos eventos, de toma única diária e com menor/ausência de efeitos adversos e sugerem que, na grande maioria dos doentes, a terapêutica deva ser iniciada com combinações de dois ou mais fármacos, preferencialmente utilizando as formulações em comprimido único para melhorar a adesão ao tratamento”, contextualizou.

Além disso, “estas guidelines também recomendam que, na grande maioria dos doentes, a terapêutica inicial deva incluir um modulador do sistema renina-angiotensina (SRA), quer seja um inibidor da enzima da conversão da angiotensina (IECA) ou um antagonista dos recetores da angiotensina II (ARA II)”.

No que se refere aos diuréticos, o cardiologista reiterou que “as guidelines advogam a preferência por tiazida-like (indapamida ou clorotalidona) ou preconizam mesmo a utilização de clorotalidona”.

“A combinação do azilsartan e clorotadilona demonstrou claramente, em múltiplos estudos clínicos, que tem uma maior redução da pressão arterial e, como é obvio, um maior número de doentes que atingem o controlo da pressão arterial”, especificou, considerando que poderão ser “uma opção terapêutica muito válida em muitos doentes para conseguir um adequado controlo”.

O especialista finalizou com uma mensagem-chave: “É importante tratar corretamente a hipertensão arterial”, porque “é o principal fator na redução do risco cardiovascular do AVC”.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
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O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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