Profissionais de saúde revelam aumento de anticorpos após segunda toma da vacina
DATA
26/03/2021 14:33:11
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Jornal Médico
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Profissionais de saúde revelam aumento de anticorpos após segunda toma da vacina

Um estudo realizado pelo Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) em conjunto com o Centro Hospitalar Lisboa Ocidental revelou que dos 1245 profissionais de saúde acompanhados desde a primeira toma da vacina, em dezembro de 2020, 99,8% desenvolveram anticorpos de forma expressiva ao final de três semanas depois da toma da segunda dose.

 

Os primeiros resultados do estudo de eficácia da vacina, três semanas após a primeira administração da vacina da Pfizer/BioNTech, foram apresentados em fevereiro de 2021, e apontavam para cerca de 90% dos profissionais de saúde envolvidos a desenvolver uma resposta imunitária à vacina, indica o IGC, em nota enviada.

“É necessário acompanhar diferentes populações, com diferentes faixas etárias e características, para validar a efetividade da vacina no mundo real”, explica Carlos Penha Gonçalves, corresponsável pelo estudo e investigador do IGC.

“Neste estudo de seis semanas de acompanhamento, verificámos, por exemplo, que a idade tem efeito na resposta à vacina e nomeadamente que homens com idades compreendidas entre os 60 e os 70 anos tiveram respostas imunológicas mais baixas, principalmente após a toma da primeira dose da vacina” sublinha o investigador.

Já a imunologista, corresponsável pelo estudo e investigadora do IGC, Jocelyne Demengeot, refere que “os resultados mostraram que, após a primeira dose, a resposta imune é muito heterogénea na população e que a segunda dose é necessária para maximizar a proteção conferida pela vacina”.

Os investigadores do estudo sugerem que “não é aconselhável alargar o tempo recomendado entre as duas doses de vacina” (definido entre os 19 e os 42 dias), contrariamente ao que foi sugerido para compensar o atraso na entrega de vacinas. Por outro lado, a análise dos dados refere que esta vacina “não promove níveis elevados de anticorpos capazes de combater a infeção nas mucosas (por exemplo no nariz e vias respiratórias), o primeiro lugar onde o vírus entra e se multiplica”.

O estudo continua a decorrer e vai acompanhar o grupo de 1250 profissionais de saúde por um período de um ano, uma vez que esta “é a única forma de compreender por quanto tempo os anticorpos se mantem e se algum dos membros do estudo contrair a doença, qual a resposta que vai desencadear”, pode ler-se em comunicado.

O Instituto Gulbenkian de Ciência pretende, ainda, alargar este estudo através de monitorização de outras faixas etárias da população, e diferentes vacinas quando disponíveis a nível nacional, em parceria com outros hospitais e autarquias.

You've got mail! - quando um aumento da acessibilidade não significa melhoria da acessibilidade
Editorial | António Luz Pereira, Direção da APMGF
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