Estudo revela que taxa de danos nos órgãos parece ter aumentado em infetados com alta
DATA
05/04/2021 10:18:49
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS



Estudo revela que taxa de danos nos órgãos parece ter aumentado em infetados com alta
Um estudo publicado pela revista médica britânica BMJ indicou que pessoas infetadas com Covid-19 e que tiveram alta hospitalar parecem ter aumentado as taxas de danos de órgãos, comparando com a população em geral.

De acordo com o estudo, o aumento do risco “não se limitou a pessoas idosas nem foi uniforme entre grupos étnicos, levando os investigadores a sugerir que vai aumentar, a longo prazo, o peso de doenças relacionadas com a Covid-19 nos hospitais e sistemas de saúde”.

Os responsáveis pelo estudo indicam “a existência de vários sintomas inexplicáveis que persistem por mais de três meses após a doença, mas dizem também que o padrão, a longo prazo, de lesão de órgãos após a infeção ainda não é claro”.

Para investigar a questão os investigadores britânicos do Instituto Nacional de Estatísticas e das universidades de Londres (“College London”) e de Leicester procuraram comparar as taxas de disfunção orgânica em pessoas com vários meses de alta hospitalar após a doença, com um grupo de controlo correspondente da população em geral.

As conclusões baseiam-se em “47780 pessoas, com uma idade média de 65 anos e 55% das quais homens, que estiveram internadas e que tiveram alta até 31 de agosto do ano passado”.

“Durante o seguimento médio de 140 dias quase um terço dos indivíduos que tiveram alta hospitalar após a covid-19 aguda foram readmitidos no hospital (14060 de 47780) e mais de um em cada 10 (5.875) morreu após a alta. Valores quatro e oito vezes maiores, respetivamente, do que no grupo de controlo”, explicam os responsáveis.

Sublinham ainda que “as taxas de doenças respiratórias, cardiovasculares e diabetes também aumentaram significativamente em doentes com Covid-19, igualmente superiores do que no grupo de controlo, especialmente no caso das doenças respiratórias”.

As diferenças nas taxas de disfunção multiorgânica entre os doentes com covid-19 e os controlos combinados “foram maiores para os indivíduos com menos de 70 anos do que para os com 70 ou mais, e nos grupos étnicos minoritários em comparação com a população branca, com as maiores diferenças observadas para as doenças respiratórias”, pode ler-se no estudo.

Crónicas de uma pandemia anunciada
Editorial | Jornal Médico
Crónicas de uma pandemia anunciada

Era 11 de março de 2020, quando a Organização Mundial de Saúde declarou o estado de Pandemia por COVID-19 e a organização dos serviços saúde, como conhecíamos até então, mudou. Reorganizaram-se serviços, redefiniram-se prioridades, com um fim comum: combater o SARS-CoV-2 e evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde, que, sem pandemia, já vivia em constante sobrecarga.

Mais lidas