Associação de Hospitalização Privada defende plano para recuperar listas de espera
DATA
09/04/2021 11:26:09
AUTOR
Jornal Médico
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Associação de Hospitalização Privada defende plano para recuperar listas de espera

A Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) defende a criação de um plano excecional, que visa recuperar até ao final do ano a atividade assistencial não-covid.

Esta proposta surge no seguimento de toda a atividade assistencial que ficou por realizar em 2020 devido à pandemia da Covid-19, nomeadamente as cerca de 125 mil cirurgias e mais de um milhão de consultas hospitalares presenciais no Serviço Nacional de Saúde (SNS), disse à agência Lusa o presidente da associação, Óscar Gaspar.

Perante esta realidade e o “diagnóstico que é feito”, disse, “os hospitais privados estão disponíveis para uma colaboração mais estreita, mais intensa com o SNS” para ajudar a resolver o problema.

“O que se justificava era termos um plano excecional, transitório que permitisse (…) até ao final do ano ultrapassar este atraso e termos atividade que, não só dê conta das necessidades específicas deste ano, mas também que resolvam os atrasados do ano passado que ficaram por fazer, nomeadamente no SNS”, defendeu. Óscar Gaspar afirmou ainda que, na sequência das conversações com o Governo, “a preocupação principal” continua a ser o controle da epidemia e o processo de vacinação.

O presidente da APHP explicou ainda que a pandemia colocou entraves à forma como os serviços de saúde são hoje prestados, devido à necessidade de equipamentos de proteção individual, higienização do espaço e a realização de testes à Covid-19 antes das cirurgias, sublinhando que um bloco operatório ou consultório médico tem hoje menos capacidade por dia e por hora.

Relativamente ao impacto da pandemia nos hospitais privados, disse que, ao longo de 2020, sentiram por um lado “um espírito de entreajuda e a capacidade de apoiar quando fosse necessário o SNS” e, por outro, uma evolução da procura de cuidados de saúde de acordo com as regras de confinamento.

A pandemia levou a uma redução de quase 50% nos episódios de urgência em 2020 e a uma diminuição do número de consultas e cirurgias face a 2019. Óscar Gaspar referiu que nos meses de janeiro e fevereiro as atividades ainda foram afetadas, mas que em março já existiu uma “boa afluência” de doentes.

Comentando os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, que destacam o crescimento da atividade dos hospitais privados nos últimos anos, referiu que já representam “um terço da capacidade hospitalar do país” e que pretendem continuar a investir para “aumentar a oferta de saúde em Portugal”.

Óscar Gaspar salientou que tem existido um crescimento muito substancial da hospitalização privada nos últimos anos, mas também uma maior procura, referindo que já há 4,7 milhões de portugueses que têm nestes hospitais “uma segunda cobertura de saúde”, através de seguros e subsistemas de saúde.

“Penso que fica claro para todos que, sendo o país deficitário em termos de infraestruturas de saúde, haver hospitais privados que possam contribuir para o sistema é um aspeto positivo”, rematou.

Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.