Áreas com maior desemprego são as mais afetadas pela Covid-19
DATA
14/04/2021 09:31:36
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Jornal Médico
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Áreas com maior desemprego são as mais afetadas pela Covid-19

Um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Universidade NOVA de Lisboa (UNL) concluiu que as áreas com um maior desemprego têm uma maior propensão para serem afetadas pela Covid-19.

O estudo “Evolution of inequalities in the coronavírus pandemics in Portugal: an ecological study” mostra que existe uma relação entre a incidência acumulada de Covid-19 e o nível socioeconómico dos municípios portugueses, conforme comunicado enviado pela ENSP.

O objetivo do estudo foi testar se as áreas mais afetadas pelo vírus apresentavam um padrão socioeconómico diferente das restantes, tendo sido ainda encontrada uma relação entre estas áreas e as variáveis de desemprego e a densidade populacional.

“Estudos internacionais já haviam encontrado diferenças sistemáticas no número de casos e mortalidade pela infeção SARS-CoV2 de acordo com o nível socioeconómico. No entanto, para Portugal não existia ainda uma evidência muito clara dos efeitos serem distintos entre grupos socioeconómicos e a informação existente estava muito dispersa”, explica a investigadora principal, Joana Alves.

Esta investigação, publicada na revista internacional European Journal of Public Health, analisou quatro momentos diferentes da pandemia em Portugal: 1 de abril (durante o confinamento), 1 de maio (ao fim de um mês de confinamento), 1 de junho (um mês depois do confinamento) e 1 de julho (dois meses depois do confinamento) e mostra que são sempre os mesmos 20 concelhos, na sua maioria localizados na região norte litoral do país, os mais afetados.

“Se é verdade que a Covid-19 não distingue estratos sociais, a realidade é que são as pessoas mais desprotegidas do ponto de vista social e económico, as que se encontram em maior risco de exposição à doença”, conclui a investigadora.

Os investigadores recomendam uma monitorização e adequação das políticas às realidades específicas, nomeadamente nas regiões com grupos populacionais mais vulneráveis.

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Editorial | Jornal Médico
Crónicas de uma pandemia anunciada

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