Sindicato dos médicos alerta para possível “catástrofe” na saúde e pede “verdadeira retoma” no SNS
DATA
20/04/2021 10:24:52
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Jornal Médico
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Sindicato dos médicos alerta para possível “catástrofe” na saúde e pede “verdadeira retoma” no SNS

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) alertou que os atrasos causados pela pandemia no Serviço Nacional de Saúde (SNS) podem provocar uma “catástrofe” e desafiou o Governo a implementar uma “verdadeira retoma” da atividade dos serviços.

“O SIM exorta o Governo a que dê os passos que dele se espera, programando uma verdadeira retoma da atividade habitual nos serviços de saúde do SNS”, refere o sindicato liderado pelo médico Jorge Roque da Cunha numa carta enviada hoje à ministra da Saúde, Marta Temido, conforme noticia a agência Lusa.

Nessa mesma carta, a estrutura sindical afirmava que a retoma da atividade atrasada deve passar por “dois instrumentos principais à disposição” do Governo, caso da contratação de mais profissionais de saúde e da determinação de trabalho suplementar, acrescentando que os “períodos de trabalho alargados por parte dos médicos”, leva a que exista um “menor atendimento e acompanhamento aos seus doentes”.

Segundo a estrutura sindical, esta opção tem dificultado a deteção de várias patologias graves, registando-se ainda “adiamentos perigosíssimos na realização de atos médicos e diagnósticos, mais ou menos complexos, mas em que a oportunidade é a chave inultrapassável para um bom prognóstico”.

Conforme a carta enviada, a falta de profissionais verifica-se na emergência pré-hospitalar, nos hospitais e nos estabelecimentos que prestam cuidados de saúde primários.

Esta situação foi agravada com o surgimento da pandemia da Covid-19, uma vez que os profissionais que trabalham nos centros de saúde têm sido dirigidos para as áreas dedicadas aos doentes respiratórios e para a campanha nacional de vacinação.

“Os nossos doentes não são acolhidos, não são despistados, nem são tratados. O somatório dos diferentes segmentos desta realidade prognostica um retrocesso nunca antes visto”, alertou o SIM, que salientou que os “médicos portugueses, desde o início da pandemia, tem posto o seu melhor no tratamento dos milhares de doentes em cuidados intensivos e nas dezenas de milhar internadas nos hospitais”, entre outras funções.

A 18 de março, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Lacerda Sales, afirmou que entraram em 2020 para o Serviço Nacional de Saúde mais de 1100 médicos e que, em janeiro, iniciaram a sua formação outros cerca de 3900 clínicos. Segundo o secretário de Estado, através dos dois concursos de primeira e segunda épocas realizados em 2020, entraram para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) 426 médicos especialistas em medicina geral e familiar, 29 médicos de saúde pública e 700 médicos da área hospitalar, num total de 1155 clínicos.

Crónicas de uma pandemia anunciada
Editorial | Jornal Médico
Crónicas de uma pandemia anunciada

Era 11 de março de 2020, quando a Organização Mundial de Saúde declarou o estado de Pandemia por COVID-19 e a organização dos serviços saúde, como conhecíamos até então, mudou. Reorganizaram-se serviços, redefiniram-se prioridades, com um fim comum: combater o SARS-CoV-2 e evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde, que, sem pandemia, já vivia em constante sobrecarga.

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