Médico do Porto vence bolsa D. Manuel de Mello com projeto sobre fibrose pulmonar
DATA
21/04/2021 10:14:40
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Jornal Médico
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Médico do Porto vence bolsa D. Manuel de Mello com projeto sobre fibrose pulmonar

O pneumologista do Centro Hospitalar Universitário de São João e investigador Hélder Novais e Bastos é premiado hoje com a bolsa D. Manuel de Mello, com um trabalho que pretende melhorar o diagnóstico e o tratamento da fibrose pulmonar.

A bolsa atribuída pela Fundação Amélia de Mello, em parceria com a CUF, no valor de 50 mil euros, servirá para desenvolver o projeto de investigação “FIBRA-Lung: Interações hospedeiro-microbioma na busca por biomarcadores de doenças pulmonares intersticiais fibrosantes que regem a aceleração”, que tem como objetivo melhorar o prognóstico e a qualidade de vida das pessoas que sofrem de fibrose pulmonar, conforme comunicado enviado.

Contextualizando o tema, a fibrose pulmonar é o “resultado de um conjunto de doenças pulmonares difusas, que se caracteriza pela inflamação e cicatrização anómala do tecido pulmonar, geralmente progressiva, estando associada a elevadas taxas de morbilidade e mortalidade, com um prognóstico comparável ao cancro”. O desconhecimento acerca desta doença fez com que a mesma se tornasse numa das principais razões para transplante do órgão. Esta condição, subdiagnosticada, causa deterioração gradual da função pulmonar resultando em cansaço crescente, insuficiência respiratória e morte.

O projeto liderado por Hélder Novais e Bastos pretende investigar a “prevalência das doenças pulmonares que conduzem à fibrose progressiva e explorar as interações entre a genética do indivíduo e os diferentes fatores ambientais, por forma a identificar novos biomarcadores que permitam avaliar a evolução da doença e indicar precocemente o tratamento mais adequado e personalizado para cada indivíduo afetado”.

Esta investigação, desenvolvida por uma equipa de médicos do Centro Hospitalar Universitário de São João e da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, em cooperação com biólogos e imunologistas do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), prevê a criação do primeiro registo português de doentes com fibrose pulmonar, com um biobanco associado, no qual os participantes serão seguidos e monitorizados ao longo dos primeiros anos após o diagnóstico. A criação deste biobanco permitirá ainda cruzar os dados da evolução da doença com os perfis moleculares e a composição de microorganismos presentes no sistema respiratório de cada doente.

O presidente da comissão executiva da CUF, Rui Diniz, considera que esta bolsa é ““um incentivo à investigação e ao desenvolvimento de melhores práticas clínicas ao serviço dos doentes. O investimento no ensino e na cooperação com as instituições universitárias é estratégico para o futuro dos cuidados de saúde”, acrescentando que iniciativas como esta são fundamentais para a valorização dos investigadores portugueses.

Em concordância, o presidente da Fundação Amélia de Mello, Vasco de Mello, sublinha que “com 14 anos de história e mais de uma dezena de projetos de investigação apoiados, a Bolsa D. Manuel de Mello cumpre, e continuará a cumprir, o propósito para o qual foi instituída de contribuir para a investigação e para o progresso das Ciências da Saúde em Portugal”.

A Bolsa D. Manuel de Mello é uma bolsa de investigação anual instituída, em 2007, pela Fundação Amélia de Mello em parceria com a CUF, que premeia jovens médicos que desenvolvam projetos de investigação clínica, no âmbito das unidades de investigação e desenvolvimento das Faculdades de Medicina portuguesas.

A cerimónia de entrega da Bolsa D. Manuel de Mello, hoje, no Auditório do Hospital CUF Porto, conta com a presença do Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales e o Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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