Estudo revela que apenas 8% dos médicos realizou videochamada durante as teleconsultas

Um estudo realizado pela Associação Portuguesa de Telemedicina (APT) revelou que apenas 8% dos médicos fez videochamada durante as teleconsultas, na 1.ª fase da pandemia da Covid-19.

O estudo “Opinião dos médicos sobre o uso da teleconsulta no Serviço Nacional de Saúde durante a 1.ª fase da pandemia Covid-19”, realizado pela APT, em colaboração com as médicas investigadoras Catarina O’Neill e Margarida Matias, e que contou com o apoio da Ordem dos Médicos, tinha como objetivo analisar a opinião de médicos e averiguar a viabilidade da teleconsulta como alternativa regular à consulta presencial após a pandemia.

Esta investigação concluiu que apenas 8% dos médicos realizou videochamada durante as consultas, apesar de 82% dos inquiridos ambicionar a possibilidade de teleconsultas com suporte de vídeo.

Segundo o relatório divulgado, devem ser disponibilizados os meios nas instituições de saúde para que a teleconsulta com suporte de vídeo se torne uma realidade ao serviço dos médicos e utentes.

“Contactos telefónicos não são teleconsultas e os inquiridos são claros quando, ao pretenderem manter esta modalidade de consulta, sustentam a necessidade de recorrer ao suporte vídeo nas teleconsultas. Poderá estar assegurado, nestas circunstâncias, o futuro da teleconsulta, exibindo assim sinais muito positivos para a afirmação da telessaúde no Serviço Nacional de Saúde, designadamente para incrementar a capacidade de resposta do SNS após o surto pandémico”, afirma o presidente da APT, Eduardo Castela.

No entanto, é feita a ressalva para a necessidade de existir uma adequada seleção de doentes para avaliação por este formato de consulta, para que não se comprometa a qualidade dos cuidados de saúde providenciados, acrescentando que os critérios de inclusão para teleconsulta deverão ser adaptados consoante a especialidade/subespecialidade de consulta.

Apesar das dificuldades sentidas pelos médicos, 50% dos inquiridos encontra-se ‘satisfeito’ ou ‘muito satisfeito’ com a teleconsulta realizad,a a contrastar com 16% que se diz ‘insatisfeito’ ou ‘muito insatisfeito’.

Este estudo foi elaborado com base nas respostas de 2225 médicos, através da realização de um inquérito online, entre 2 de julho e 11 de setembro de 2020.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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