SPA alerta para necessidade de identificar cedo fatores de risco da aterosclerose
DATA
24/05/2021 15:57:46
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Jornal Médico
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SPA alerta para necessidade de identificar cedo fatores de risco da aterosclerose

A Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA) alertou para a necessidade de identificar, quanto mais cedo possível, os fatores de risco de uma doença que é já responsável por 12% das mortes prematuras em Portugal e com custos globais de 1,9 mil milhões de euros.

O presidente eleito da SPA, Francisco Araújo, em declarações à agência Lusa, adiantou que, segundo o estudo elaborado por esta sociedade médica sobre os custos da aterosclerose, “o peso da doença em Portugal equivale a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) e representa 11% da despesa corrente em saúde”. Frisou ainda que “a aterosclerose é uma doença que abrange vários vasos do organismo, vários sistemas, não é uma doença só do coração”, sublinhando, assim,a importância de olhar para a patologia como sistémica.

O especialista explicou que o referido estudo foi “muito extenso e bastante exaustivo”, acompanhando não só os doentes que estavam a ser seguidos para uma doença que é crónica, como os internamentos por doenças relacionadas com a aterosclerose e as suas consequências. 

“Como todos sabemos, infelizmente, uma pessoa que, por exemplo, teve um AVC pode ficar com sequelas permanentes ou ter um período de recuperação muito longo”, esclareceu o responsável.

O estudo sublinha também o impacto socioeconómico da doença indicando que “quando é feita a soma dos custos diretos da aterosclerose, 58% estão relacionados com ambulatório e 42% com a não participação no mercado de trabalho”.

Dada a suspensão da atividade assistencial, por causa da pandemia, Francisco Araújo assinala que os doentes “estão a aparecer em fases mais avançadas da doença” e que é preciso apostar nos cuidados de saúde primários, reforçando que “a melhor forma de detetar fatores de risco e garantir o acompanhamento é em proximidade”.

O especialista reconheceu que Portugal tem feito “um trabalho excecional” na redução da mortalidade e dos eventos cardiovasculares do ponto de vista global, mas salientou que tal acontece “sobretudo nos doentes mais idosos”. Já a mortalidade precoce, envolvendo o universo de doentes mais novos, está a aumentar no nosso país. “Temos de perceber que quanto mais cedo fizermos o reconhecimento do risco do doente, melhor é”, afirmou, acrescentando que os medicamentos têm uma função que não é só tratar um parâmetro, como o valor da tensão arterial ou do colesterol- é para reduzir o risco de ter um enfarte, de sofrer um AVC ou AVC ou, no pior dos cenários, de morrer. “Há ainda muito a fazer; e quanto mais cedo começarmos, maior é o impacto dessa mudança”, concluiu o presidente da SPA.

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