COVID-19: Maioria dos sintomas de síndrome inflamatória desaparece ao fim de seis meses
DATA
25/05/2021 14:31:18
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Jornal Médico
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COVID-19: Maioria dos sintomas de síndrome inflamatória desaparece ao fim de seis meses

Um estudo concluiu que a maioria dos sintomas da síndrome de inflamatória multissistémica que afetou crianças e adolescentes após infeção por SARS-CoV-2 desaparece ao fim de seis meses.

A investigação, publicada na revista The Lancet Child & Adolescent Health e que acompanhou 46 crianças entre 4 de abril e 1 de setembro de 2020, concluiu que, apesar de a doença inicial provocada pela COVID-19 ser grave, os sintomas de inflamação- gastrointestinais, cardíacos e neurológicos- desaparecem ao fim de meio ano.

No entanto, do pequeno número de crianças que tiveram esta síndrome inflamatória grave, algumas foram aconselhadas a manter acompanhamento contínuo para a “fadiga muscular, efeitos na saúde mental e dificuldade de exercício”.

Os autores do trabalho sublinham que são necessários mais estudos para confirmar se os resultados se aplicam a todos os pacientes que sofreram esta síndrome. Além disso, “o estudo não teve um grupo de controlo, o que torna difícil determinar até que ponto algumas conclusões são atribuíveis à experiência de ser admitido numa unidade de cuidados intensivos pediátrica, de ter uma nova condição grave durante uma pandemia ou à síndrome inflamatória multissistémica grave”, assinalam os investigadores.

Ainda que não se saiba o que desencadeia a doença, acredita-se que seja uma rara reação imunológica exagerada, que ocorre quatro a seis semanas após a infeção por COVID-19 leve ou assintomática. Os sintomas incluem febre, erupção cutânea, infeção ocular e problemas gastrointestinais (diarreia, dor de estômago, náusea). Em casos raros, pode levar à falência de vários órgãos.

“Como esta síndrome é uma complicação muito rara da COVID-19 em crianças, o nosso estudo incluiu um pequeno número de crianças de um hospital. Estas descobertas podem sinalizar um otimismo cauteloso de que muitos dos efeitos mais graves parecem resolver-se em seis meses. No entanto, a fadiga persistente, a dificuldade em praticar exercício e os efeitos na saúde mental que vimos em algumas crianças, que podem interferir na vida diária, devem ser monitorizados de perto”, refere o coautor desta investigação, Justin Penner.

Durante o acompanhamento de seis meses, a maioria dos sintomas foi resolvida, com a inflamação sistémica a desaparecer em todas as crianças, à exceção de uma. Os ecocardiogramas em duas crianças mostravam ao fim de seis meses ainda alguns parâmetros anormais, enquanto seis crianças apresentavam sintomas gastrointestinais. Os investigadores afirmam que quaisquer efeitos neurológicos duradouros “são provavelmente leves” e “não causam incapacidade”, embora admitam que o teste usado “pode não ser capaz de capturar efeitos mais subtis”. Por esse motivo, defendem que é fundamental o acompanhamento contínuo destes pacientes.

Os interessados podem ler o estudo original aqui.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
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