Sociedade de Esclerose Múltipla quer ver reconhecido estatuto do doente crónico
DATA
28/05/2021 15:54:34
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Jornal Médico
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Sociedade de Esclerose Múltipla quer ver reconhecido estatuto do doente crónico

A Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM) quer ver reconhecido pela Assembleia da República o estatuto do doente crónico, onde a esclerose múltipla está inserida, de acordo com o Consenso Nacional para a patologia.

A propósito do Dia Mundial da Esclerose Múltipla, que se assinala no domingo, o presidente da SPEM, Alexandre Silva, apelou para que as “esferas social e política” tenham “um olhar diferente” em relação à doença que afeta cerca de oito mil pessoas em Portugal.

“É preciso colocar a pessoa com esclerose múltipla no centro [dos cuidados de saúde]. Isto significa uma reorganização dos serviços, neste caso das consultas e centros de esclerose múltipla para que as várias especialidades médicas e terapêuticas que são necessárias para ajudar estes doentes possam concorrer todas de forma harmoniosa para a melhoria da sua qualidade de vida”, disse Alexandre Silva à Lusa.

“Não é preciso gastar dinheiro para que isto aconteça, é apenas necessária uma reorganização do que já está disponível no Serviço Nacional de Saúde. Acreditamos que até permitirá poupar recursos porque ao haver uma resposta mais atempada às pessoas”, a doença e os custos a ela associada não irão progredir tanto.

Estas propostas resultaram do Consenso Nacional de Esclerose Múltipla, que contou com outras associações, partidos, ordens profissionais, médicos e académicos, para além do ministério da saúde.

O presidente da SPEM considerou esta iniciativa ainda mais relevante no contexto da pandemia de COVID-19, que veio piorar a condição das pessoas que vivem com esclerose múltipla.

“Se a vida antes já era muito exigente, com a pandemia tornou-se ainda mais. Esta é uma doença que não gosta das pessoas presas e quando temos de estar confinados em casa com muito menos atividade regular, a doença ganha espaço”, expõe.

Alexandre Silva disse que várias pessoas “tiveram um agravamento muito rápido e imparável da doença e outras faleceram não com COVID-19, mas pela situação que veio impedir que tivessem um acompanhamento terapêutico conveniente, nomeadamente sessões de terapia da fala e fisioterapia – as quais são críticas para a função respiratória e para a alimentação”.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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