Medo da compaixão associado a maiores níves de depressão e stress durante a pandemia revela estudo internacional
DATA
31/05/2021 16:15:09
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Jornal Médico
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Medo da compaixão associado a maiores níves de depressão e stress durante a pandemia revela estudo internacional

O medo da compaixão ampliou o impacto prejudicial da Covid-19 na saúde mental, aumentando os níveis de depressão, ansiedade e stress, revela um estudo realizado no âmbito de um projeto internacional pioneiro sobre resiliência psicológica durante a pandemia, liderado por Marcela Matos, da Universidade de Coimbra (UC).

Este consórcio, que explora a compaixão, a conexão social e a resiliência ao trauma durante a pandemia de COVID-19, ou seja, os fatores que podem aumentar ou atenuar o risco de problemas de saúde mental neste contexto, conta com a participação de cientistas de 21 países da Europa, Médio Oriente, América do Norte, América do Sul, Ásia e Oceânia.

De acordo com a coordenadora, os resultados obtidos mostram que “o medo da autocompaixão, medo da compaixão em relação aos outros e medo de receber compaixão dos outros estão associados a maiores níveis de depressão, ansiedade e stresse, e menor sensação de segurança e ligação aos outros”.

A investigadora do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da FPCEUC explica que, embora a compaixão possa ser um fator protetor, em oposição, “o medo da compaixão aumenta a vulnerabilidade ao sofrimento psicossocial e pode ampliar o impacto da pandemia na saúde mental”.

Outra conclusão “extremamente relevante” é o facto de “estes medos da compaixão e da autocompaixão amplificarem o efeito nefasto da pandemia nos níveis de depressão, ansiedade e ‘stress’. Isto significa que quanto mais medo as pessoas tiverem de ser compassivas em relação a elas mesmas e em relação aos outros e mais resistências tiverem em receber compaixão por parte dos outros, maior é o impacto do medo do vírus na sua saúde mental”.

Face aos resultados obtidos, que são transversais aos 21 países que participaram no estudo, numa amostra constituída por 4.057 indivíduos de ambos os sexos da população geral, a investigadora defende que as autoridades de saúde pública “devem adotar intervenções e comunicações focadas na promoção da compaixão e da ligação aos outros para reduzir os medos da compaixão e, assim, promover a resiliência e o bem-estar mental durante e após a pandemia COVID-19”.

A especialista do CINEICC recomenda ainda que “intervenções psicológicas de promoção/tratamento da saúde mental focadas na compaixão e baseadas em evidência empírica (como a terapia focada na compaixão ou o treino da mente compassiva), em formato individual, grupal ou na comunidade, sejam usadas para reduzir o medo da compaixão e promover a motivação e as competências compassivas".

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