Paulo Santos: “Precisamos de regressar aos princípios não de contratualização, mas de compromisso”
DATA
07/06/2021 09:53:57
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Jornal Médico
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Paulo Santos: “Precisamos de regressar aos princípios não de contratualização, mas de compromisso”

Na Cerimónia de Abertura do 14.º Congresso Nacional do Idoso, em formato presencial, no dia 31 de maio, o presidente do Colégio da Especialidade de Medicina Geral e Familiar (MGF), Paulo Santos, enfatizou que “precisamos de regressar aos princípios da Medicina e partir deles para reconstruir os verdadeiros objetivos sólidos em termos de saúde numa matriz não de contratualização, mas de compromisso, baseada na evidência e integrando a nossa experiência e os valores dos doentes”.

“Acreditamos na Medicina e na Ciência, a bem da pessoa considerada no seu todo biopsicossocial de Hengel, transladada para a prática por uma medicina humanística, atenta à sociedade, interventiva e capaz de ser provedora dessa pessoa no percurso que inevitavelmente terá de fazer ao longo da sua vida nos processos de saúde e de doença”, salientou o responsável, defendendo a construção de “um sistema de avaliação que realmente promova a qualidade em saúde em vez de um espartilho artificial em que se transformou a medíocre contratualização”.

O presidente do Colégio da Especialidade de MGF sublinhou igualmente a necessidade de “fazermos o nosso trabalho sem interferência externa”, considerando que “as orientações de consenso - que são fundamentais para nos resumir uma base de decisão e de orientação - são apenas isso e não são a forma de tratar o nosso doente, não substituindo a necessária personalização do seu contexto, algo que na Geriatria é particularmente importante”.

“Acreditamos e queremos ser médicos com ‘M’ grande, ajudando a pessoa a percorrer o seu caminho nos processos de saúde, depois no controlo dos fatores de risco e, mais tarde, eventualmente na doença”, destacou.

Também o Enf.º Leonel Fernandes, tesoureiro da Ordem dos Enfermeiros (OE), em representação da bastonária da OE, realçou que “os indicadores não preveem dar qualidade de vida às pessoas, preveem apenas números”, defendendo que “nos cuidados de saúde primários temos que estar menos preocupados com os números e mais com as pessoas”.

A esse propósito, o responsável lançou um repto, “de olhar com olhos de ver para o Plano Nacional da Saúde do Idoso, que até agora ainda não saiu do papel, e continuar a fazer pressão para que algo seja feito”.

Da mesma opinião é o presidente do Congresso, o reumatologista José Canas da Silva, que evidenciou a necessidade de “a assistência aos idosos e a forma como nós capacitamos o nosso exercício para os idosos, ser um tema politizado”, considerando que “a politização do assunto pode contribuir para o cumprimento das diretivas, guidelines, orientações e políticas para esta área que não são cumpridas e que importa cumprir”.

Nuno Cardoso, em representação de Rui Fiolhais, presidente do conselho diretivo do Instituto da Segurança Social, falou sobre a crise pandémica, lembrando que “a Saúde e a Segurança Social, duas máquinas muito pesadas, foram obrigadas a fazer um circuito de manutenção extraordinariamente intenso e exigente”, considerando que, “ainda assim, foi feito um trabalho muito grande e louvável em termos de prestação de cuidados de saúde às pessoas e prestação de cuidados sociais”.

Esteve ainda presente na Cerimónia de Abertura, o presidente da Comissão Científica, António Pacheco Palha.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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