Cientistas de Coimbra descobrem novo mecanismo de infeção pela bactéria salmonella
DATA
09/06/2021 14:30:16
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Jornal Médico
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Cientistas de Coimbra descobrem novo mecanismo de infeção pela bactéria salmonella

Um estudo internacional liderado por investigadores da Universidade de Coimbra (UC) revelou um novo mecanismo de infeção específico da salmonella, com potencial para ser usado no desenvolvimento de novas terapêuticas.

“Trata-se de um novo mecanismo que aumenta o nosso conhecimento sobre as interações complexas estabelecidas entre as nossas células e os microrganismos, neste caso a bactéria salmonella”, explica a líder do estudo, investigadora do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC) e docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), Ana Eulálio.

Em comunicado, a UC salienta que estes dados, obtidos através de estudos em células e em modelos animais, podem vir a desempenhar "um papel crucial no impedimento da progressão da infeção por esta bactéria".

Miguel Mano, investigador do CNC, docente da FCTUC e coautor do estudo, esclarece que “o conhecimento dos mecanismos moleculares explorados pela salmonella pode possibilitar o desenvolvimento de estratégias terapêuticas capazes de bloquear a disseminação da infeção”.

Contextualizando o tema, a infeção provocada por salmonella ocorre após a ingestão de alimentos contaminados e afeta principalmente o trato digestivo. As pessoas infetadas podem desenvolver enjoos, cólicas, diarreia, febre e vómitos.

As células do corpo humano, comumente, quando são infetadas por vírus ou bactérias comunicam com as células vizinhas saudáveis para arranjar uma resposta contra a infeção. Neste estudo, mostram o oposto: as células infetadas por salmonella libertam proteínas que facilitam a infeção das células vizinhas.

Por esta razão, foi necessário avaliar e identificar “moléculas-chave” envolvidas no processo de infeção e disseminação, para melhor compreender onde atuar para impedir a infeção.

Em particular, os investigadores identificaram uma proteína, a E2F1, que se encontra diminuída durante a infeção por salmonella, quer nas células do hospedeiro, que estão infetadas com a bactéria, quer nas células vizinhas. A diminuição da proteína E2F1 leva à desregulação da expressão de moléculas envolvidas no controlo da interação bactéria-hospedeiro, particularmente microRNAs (pequenas sequências de ARN não-codificantes), o que por sua vez promove a multiplicação da bactéria nas células infetadas.

Adicionalmente, descobriram que as células inicialmente infetadas libertam moléculas para o espaço extracelular (fora das células), em particular a proteína HMGB1, que ativa as células vizinhas tornando-as mais recetivas à infeção por salmonella.

Ana Eulálio faz notar que este estudo se distingue na medida em que, “contrariamente ao paradigma existente” a investigação da UC permitiu descobrir que a salmonela, “para além de manipular as células humanas infetadas, modifica também as células vizinhas não infetadas no sentido de aumentar a sua suscetibilidade à infeção e, desta forma, facilitar a disseminação da bactéria”.

Os resultados foram alcançados por via de estudos em células e em modelos animais, com o auxílio de ferramentas de bioinformática e de biologia celular e molecular.

Esta investigação, que contou com a colaboração das Universidades de Würzburg (Alemanha) e de Córdoba (Espanha) e dos Institutos de Ciências Matemáticas e de Homi Bhabha (Índia), já se encontra publicada na revista Nature Communications.

Os interessados podem ler o estudo na íntegra aqui.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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