Dispositivos eletrónicos no quarto prejudicam sono e saúde das crianças
DATA
09/06/2021 15:10:04
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Jornal Médico
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Dispositivos eletrónicos no quarto prejudicam sono e saúde das crianças

A presença de dispositivos eletrónicos no quarto das crianças predomina nas famílias desfavorecidas e prejudica o sono e a saúde dos utilizadores, segundo um estudo divulgado pela Universidade de Coimbra (UC).

Embora a televisão, o computador, o tablet e outros dispositivos “sejam mais prevalentes nas casas de famílias portuguesas com maior estatuto socioeconómico, a disponibilidade desses equipamentos no quarto da criança é mais comum em famílias mais desfavorecidas, com impactos negativos no sono”, alertam investigadores da UC, em comunicado.

O estudo foi realizado por uma equipa do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde (CIAS) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), e as suas conclusões publicadas na revista científica europeia Sleep Medicine.

De acordo com a nota, “uma explicação avançada no artigo científico é a possibilidade de as famílias de baixo estatuto socioeconómico terem menos conhecimento sobre os problemas de saúde associados ao uso excessivo de dispositivos com ecrã, menos tempo para supervisionar os seus filhos ou menos oportunidades de envolvê-los em atividades extracurriculares”.

A investigação utilizando dados reportados a 8.430 crianças, com idades entre os três e os 10 anos, de escolas públicas e privadas das cidades do Porto, Coimbra e Lisboa, revelou que os “dispositivos eletrónicos disponíveis em casa, especialmente no quarto, diminuíram significativamente o tempo de sono das crianças”.

Independentemente da idade, sexo, ou do tipo de equipamento, o tempo despendido em frente ao ecrã “é sempre mais elevado em crianças de famílias de menor posição socioeconómica”, explicou Daniela Rodrigues, primeira autora do artigo científico, explicitando que, entre crianças dos três aos cinco anos de idade, “ter uma televisão e um tablet no quarto foi associado a maior tempo ecrã”. Em relação à faixa etária 6-10 anos, “ter dispositivos no quarto (televisão, laptop e tablet) foi associado a maior tempo de ecrã e a menos horas de sono principalmente nos dias de aula”.

A investigadora do CIAS assinala que as conclusões do estudo mostram que “ter um equipamento no quarto da criança não está relacionado com uma maior disponibilidade do equipamento em casa (nem com maior disponibilidade financeira)”. Além disso, o uso generalizado de dispositivos móveis e a “popularização de dispositivos eletrónicos no quarto são provavelmente responsáveis pelo aumento substancial do tempo de ecrã na infância ao longo dos anos”.

A finalizar, Daniela Rodrigues considera que, “com a pandemia de COVID-19, as crianças foram obrigadas a passar mais tempo em casa e ficaram mais dependentes de equipamentos eletrónicos (para uso educacional, social, etc.), pelo que é urgente aplicar estratégias de gestão do uso destes equipamentos na hora de deitar. Especial atenção deve ser dada a crianças socioeconomicamente mais desfavorecidas, por estarem em maior risco, como encontrado neste trabalho”.

O cofinanciamento deste estudo envolveu a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), o Programa Operacional Competitividade e Internacionalização (COMPETE 2020), o programa de incentivos Portugal 2020 e o Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER). O artigo científico está disponível aqui.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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