Centros de saúde não estão a conseguir retomar rastreios de cancros
DATA
11/06/2021 14:25:35
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Jornal Médico
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Centros de saúde não estão a conseguir retomar rastreios de cancros

A Ordem dos Médicos (OM) alerta que os centros de saúde estão longe de retomar os rastreios de alguns cancros, tendo sido quase impossível recuperar a atividade perdida.

Após um ciclo de visitas a centros de saúde da Área Metropolitana de Lisboa, Alentejo e Algarve, que vai complementar a informação do inquérito enviado a todos os médicos de Medicina Geral e Familiar (MGF) para apurar a situação nos cuidados de saúde primários, a OM faz notar que os profissionais destes centros continuam sobrecarregados de tarefas ligadas à pandemia e com pouco tempo para os restantes utentes.

“A pandemia interferiu, e ainda interfere, com todos os centros de saúde, numas áreas de forma mais comum e noutras mais acentuada em alguns aspetos, de acordo com as realidades locais”, explicou à Lusa o presidente do Conselho Regional Sul da OM, Alexandre Valentim Lourenço.

O responsável disse ainda que, em muitos centros de saúde, “não houve sequer ainda a retoma da normalidade, quanto mais a recuperação do que ficou em atraso”.

Sublinhou que os médicos e enfermeiros, neste universo, encararam a vacinação COVID-19 como “uma missão nacional”, mas que “não estavam à espera de serem requisitados de forma tão brutal como foram”.

“Havia intenção de os centros de vacinação recorrerem à contratação de médicos e enfermeiros voluntários (…), mas na maior parte dos sítios, para poupar dinheiro, os médicos de família foram incluídos em sistemas rotativos para vacinação, uma missão que encaram como nobre e necessária, mas que lhes retira tempo para os seus doentes”, explicou.

O presidente do Conselho Regional Sul da OM assinalou ainda que em alguns centros de saúde a situação é mais complicada. “Em centros de saúde com três ou quatro médicos, deslocar todos os dias um para vacinação deixa um terço ou metade dos utentes sem médico”.

Alexandre Valentim Lourenço apontou também os atrasos nos rastreios que dependem dos cuidados de saúde primários, dizendo que, no caso do cancro do colo do útero, a demora é já de “um ano e meio”.

Relativamente aos rastreios não dependentes do funcionamento do centro de saúde, como é o caso do cancro da mama, que é baseado em ecografias que podem ser feitas no exterior, os médicos fazem as prescrições e as pessoas estão a retomar, já em sentido inverso, por exemplo, temos o rastreio do colo do útero, isto é, “as citologias não estão a ser realizadas”.

“Os rastreios, muitas vezes, eram feitos por médicos com auxílio de enfermeiros”, ora, atualmente, “não estão uns nem outros. (…) O cancro do colo do útero é paradigmático, em que não há rastreios de forma sistemática. Estão a ser feitos de forma esporádica e oportunista, ou seja, o doente aparece com queixas e faz-se o rastreio”, explicou.

A concluir, o médico referiu há “pequenas diferenças”, mas que os rastreios “estão atrasados em todas as regiões”, que o planeamento familiar “foi reduzido” e que as consultas de saúde materna e pediátricas (grávidas e crianças) se mantiveram, mas que “houve normas para se reduzir para as idades chave”.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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