Médicos de família vão entregar aos utentes nota a pedir compreensão pelos atrasos
DATA
11/06/2021 15:28:01
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS


Médicos de família vão entregar aos utentes nota a pedir compreensão pelos atrasos

Os médicos de família farão chegar, a partir de segunda-feira, 14 de junho, uma nota aos utentes a pedir compreensão pelos atrasos nas consultas e nas respostas aos pedidos de medicação, avançou hoje à Lusa o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM).

“É uma pequena justificação a todos os utentes para que, de alguma maneira, percebam que, apesar dos nossos esforços, a situação vai ter tendência a piorar”, adiantou Jorge Roque da Cunha.

Em referida nota, o SIM afirma que “a vacinação é fundamental para o combate à pandemia”, no entanto, “está a ser feita exclusivamente à custa dos médicos, enfermeiros e assistentes técnicos dos centros de saúde, em vez de contratação de profissionais”.

“Por isso, e apesar de não termos qualquer responsabilidade nos atrasos das consultas, das respostas aos pedidos de medicação, da resposta aos e-mails, pedimos a sua compreensão pelos atrasos”, lê-se na mensagem.

Refere ainda a mesma nota que os médicos vão continuar “a implorar” para que os deixem ver os seus doentes e, dessa forma, evitar “cancros, amputações, cegueiras e tromboses entre outras doenças”, apelando-se aos utentes para exigirem o mesmo junto dos políticos nas juntas de freguesia, nas câmaras e assembleias municipais, no parlamento e ao Governo.

Jorge da Cunha adiantou que esta comunicação, distribuída pelos associados do SIM, surge depois de terem sido feitos “repetidos apelos” sem sucesso ao Governo visando a contratação de médicos, enfermeiros e assistentes técnicos para a vacinação, que irá demorar algum tempo.

“Não sabemos se vai ser preciso uma terceira dose; e depois é a vacinação contra a gripe e, por isso, temos de criar as condições para que os nossos utentes tenham acesso [aos cuidados de saúde] porque é politicamente criminoso não estar a permitir que os médicos de família vejam os seus doentes”, vincou, destacando que centros de saúde em Lisboa que têm os e-mails dos utentes atrasados na sua análise mais de uma semana por falta de administrativos que estão alocados na vacinação.

Para Roque da Cunha, trata-se de “uma insensibilidade inqualificável” por parte do Ministério da Saúde em relação a esta matéria: “se pensa que resolve o problema obrigando os médicos e os enfermeiros e os administrativos a ficarem no centro de saúde [como aconteceu no estado de emergência] é um erro de palmatória”.

Sublinha o secretário-geral do SIM que o estado de emergência possibilitava ao Governo o direito de impedir a cessação de contratos. “Com medo que isso volte a acontecer”, são “centenas de médicos” que tomaram outras decisões e estão a rescindir os contratos, salientou.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

Mais lidas