Receio da pandemia afastou um em cada quatro portugueses do SNS
DATA
15/06/2021 16:01:43
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Jornal Médico
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Receio da pandemia afastou um em cada quatro portugueses do SNS

Um em cada quatro portugueses deixaram de recorrer ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), no ano passado, por medo de serem contagiados com o novo coronavírus. E mais de dois terços consideram que o SNS tem respondido bem à pandemia.

 

De acordo com os dados do Índice de Saúde Sustentável, desenvolvido pela Nova Information Management School (NOVA-IMS) e que avaliou também a resposta do SNS à pandemia de COVID-19, “15,7% dos utentes deixaram de ir a uma consulta com o médico de família no centro de saúde, 7,5% não foram a consultas de especialidade nos hospitais, 5,8% deixaram exames de diagnóstico por fazer e 7,3% optaram por não recorrer às urgências”.

“A significativa redução de atividade do SNS deverá ter-se feito sentir sobretudo do lado da oferta, devido às restrições dos recursos, mas também (...) do lado da procura. Todos nós percebermos intuitivamente que deverá haver uma parte da população potencialmente utilizadora do SNS que se absteve ou reduziu a procura de cuidados de saúde devido aos receios relacionados com a pandemia”, explicou o coordenador do estudo, Pedro Simões Coelho. Sublinhou ainda que quase um quarto da população deixou de recorrer ao SNS, por exemplo, para uma consulta ou para um exame de diagnóstico.

Os dados deste estudo revelam que 18,2% dos portugueses recorreram a serviços de saúde privados por falta de resposta do SNS ou por receio de contágio devido à COVID-19. E que no serviço público, houve “15,7% de consultas com médico de família/clínica geral que não aconteceram”, enquanto no privado registou-se uma subida de 4,7%.

No que diz respeito às consultas externas de especialidade, o SNS deixou de fazer “7,5% e o privado teve um adicional de 13%. A mesma tendência verificou-se nos exames de diagnóstico, com o SNS a perder 5,8% e os privados a terem 7,9% de atividade adicional; já nas urgências, o SNS perdeu 7,3%, com os privados a crescer 2,9%”.

O estudo aponta ainda para uma maior utilização dos serviços de telemedicina no SNS comparativamente aos serviços de saúde privados.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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