Bactérias do intestino humano produzem compostos suscetíveis de inibir o vírus SARS-CoV-2
DATA
21/06/2021 16:26:39
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Jornal Médico
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Bactérias do intestino humano produzem compostos suscetíveis de inibir o vírus SARS-CoV-2

Estudo identifica algumas bactérias comensais, que se encontram naturalmente no intestino humano, como produtoras de compostos inibidores do vírus SARS-CoV-2.

A investigação foi apresentada no World Microbe Forum, um encontro online da Sociedade Americana de Microbiologia (ASM), da Federação Europeia das Sociedades Microbiológicas (FEMS) e de várias outras sociedades, conforme noticia a agência Lusa.

Descobertas clínicas anteriores mostraram que alguns pacientes com COVID-19, na forma moderada a grave, apresentam sintomas gastrointestinais, enquanto outros evidenciam sinais de infeção apenas nos pulmões.

“Questionámo-nos se as bactérias residentes no intestino poderiam proteger da invasão do vírus”, disse Mohammed Ali, doutorando de Medicina na Universidade Yonsei, em Seul, citado num comunicado da ASM. Para investigar essa hipótese, foram examinadas as bactérias dominantes do intestino humano quanto à sua atividade contra o SARS-CoV-2.

“As bifidobactérias, que já haviam mostrado capacidade de suprimir a helicobactéria pylori, responsável por várias infeções gastrointestinais, e se mostram ativas contra a síndrome do intestino irritável, tinham essa atividade”, revelou aquele investigador.

Neste estudo foi utilizada inteligência artificial (IA) para procurar potenciais compostos de combate a doenças em bases de dados de moléculas produzidas por micróbios; e apoiados na IA, os investigadores descobriram que algumas dessas bases podem ser úteis contra o vírus da COVID-19.

“Para testar o nosso modelo, aproveitámos os dados de coronavírus anteriores, nos quais vários compostos foram então avaliados. “Esta abordagem parece ser significativa, pois esses alvos têm características em comum com o SARS-CoV-2”, explicou o investigador.

Mohammed Ali destacou, também, a natureza ecológica da referida abordagem para esta pesquisa, assinalando que muitos antibióticos e terapias existentes contra o cancro são compostos que as bactérias usam para competir entre si no trato gastrointestinal e que foram previamente purificadas das secreções microbianas.

“Encontrar micróbios que segregam moléculas que podem inibir coronavírus será um método promissor para desenvolver probióticos naturais ou fabricados para expandir as nossas técnicas de prevenção terapêutica, de forma a fornecer uma forma mais sustentável de combater a infeção viral”, concluiu o investigador.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
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