COVID-19: Estudo analisa controlo da pandemia durante o processo de vacinação em Portugal
DATA
22/06/2021 14:34:41
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Jornal Médico
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COVID-19: Estudo analisa controlo da pandemia durante o processo de vacinação em Portugal

A revista Nature Communications publicou o estudo "Controlling the pandemic during the SARS-CoV-2 vaccination rollout", desenvolvido por uma equipa de investigadores liderada por Ganna Rozhnova, professora na University Medical Center Utrecht e colaboradora do Instituto de Biossistemas e Ciências Integrativas (BioISI) na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. O trabalho analisou diferentes cenários de relaxamento das medidas de contenção da pandemia enquanto progredia o processo de vacinação contra a COVID-19 em Portugal.

Segundo a instituição de ensino, os investigadores “aplicaram métodos computacionais sofisticados para parametrizar um modelo de transmissão do SARS-CoV-2, ajustando-o a uma longa série de dados de hospitalizações por faixa etária e também aos resultados de um estudo transversal de seroprevalência por grupo etário”. O modelo calibrado “foi depois combinado com a evolução da cobertura vacinal projetada para Portugal” tendo por finalidade “investigar as trajetórias da pandemia em 2021 sob diferentes cenários de relaxamento”.

Releva ainda que este “modelo incorpora dados demográficos e de contactos sociais relativos a Portugal, e também tem em conta um aumento da transmissibilidade do vírus devido ao rápido aumento, no País, da frequência da variante B.1.1.7, a partir de 2021”.

A escolha de Portugal para estudo de caso faz deste trabalho “um dos primeiros esforços de modelação da COVID-19 para informar a tomada de decisões no País”.

Quais os diferentes cenários de relaxamento das medidas que o estudo apresenta?

Segundo o estudo, “existe um consenso de que a vacinação em massa contra a SARS-CoV-2 acabará por pôr um fim à pandemia”, no entanto, não é claro quando e quais as medidas de controlo que podem ser “relaxadas” durante a implementação dos programas de vacinação.

As análises realizadas sugerem que a “necessidade premente de reiniciar as atividades socioeconómicas podem levar a novas ondas pandémicas, e que os esforços substanciais de controlo se revelam necessários ao longo de 2021”.

De acordo com os planos do Governo Português, o ponto médio de flexibilização das medidas foi em abril de 2021. Na opinião dos investigadores, o regresso ao estilo de vida pré-pandémico na “primavera de 2021 é o pior cenário e que provavelmente levaria a uma sobrecarga”. Mesmo para as hipóteses mais otimistas do modelo, “este cenário resultaria numa vaga de hospitalizações 20% maior do que as três vagas anteriores combinadas (58.226 hospitalizações medianas acumuladas de 1 de abril de 2021 a 1 de janeiro de 2022 contra 48.273 hospitalizações de 25 de fevereiro de 2020 a 31 de março de 2021)”.

Pode ler-se também no estudo que num cenário de relaxamento gradual, a obtenção do controlo pode demorar mais de um ano desde o início da vacinação, “mas que quase 50% da população estará protegida pela vacinação e uma proporção menor (35%) já terá tido COVID-19 até esse momento”, sendo que a alternativa a estes cenários seria “acelerar a campanha de vacinação de modo a que a cobertura vacinal aumente mais rapidamente do que inicialmente previsto e confirmado pelos dados do lançamento da vacinação”.

No entanto, os programas de vacinação em massa do SARS-CoV-2 e as medidas de controlo prolongadas “podem gerar uma pressão de seleção que leva à adaptação viral, à divergência antigénica ou à fuga da vacina”. Estas adaptações virais podem “contribuir para a diminuição da eficácia das vacinas existentes através de uma diminuição mais rápida da imunidade.”

Controlling the pandemic during the SARS-CoV-2 vaccination rollout é, igualmente, assinado por João Viana, Christiaan H. van Dorp, Ana Nunes, Manuel Carmo Gomes, Michiel van Boven, Mirjam E. Kretzschmar e Marc Veldhoen.

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