DGS: tabaco contribuiu para mais de 13 mil mortes em 2019
DATA
25/06/2021 16:19:19
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Jornal Médico
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DGS: tabaco contribuiu para mais de 13 mil mortes em 2019

Mais de 13 mil pessoas morreram, em 2019, em Portugal por doenças atribuíveis ao tabaco, das quais 1.771 por exposição ao fumo passivo, segundo o Relatório do Programa Nacional para a Prevenção e Controlo do Tabagismo da Direção-Geral da Saúde (DGS).

 

As últimas estimativas elaboradas pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), publicadas no relatório divulgado, apontam que “11,7% dos óbitos ocorridos em 2019 em Portugal tenham sido devido ao tabaco”. Referem ainda que, das 13.559 mortes registadas, os homens estão em maioria (10.815), estimando-se que 1.771 óbitos tenham resultado da exposição ao fumo ambiental (561 por doenças cérebro-cardiovasculares, 425 por infeções respiratórias, 312 por doença respiratória crónica, 242 por diabetes mellitus tipo 2 e 220 por cancro). Já a maior percentagem de óbitos atribuíveis ao tabaco registou-se no grupo etário dos 50 aos 69 anos (24,8%).

O relatório cita dados das Administrações Regionais de Saúde (ARS) indicativos de que, em 2020, foram atendidos 6.129 utentes em primeiras consultas de cessação tabágica, o que representou “um decréscimo relativo de 51,7% comparativamente ao ano anterior”. Ainda em relação ao mesmo ano, é reportada a realização de 25.486 consultas de apoio intensivo à cessação tabágica em Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) e serviços hospitalares, “uma quebra 39,2% face a 2019”.

Nos 152 locais de consulta que se mantiveram a funcionar em 2020, o atendimento foi efetuado de modo presencial em 62,8% das consultas realizadas, seguindo os moldes habituais, tendo as restantes acontecido através de meios à distância, como videoconferência ou telefone.

Perante estes dados, a DGS conclui que “a situação pandémica fez diminuir tanto a procura de ajuda na cessação tabágica como a capacidade de resposta do SNS, em particular ao nível dos CSP [cuidados de saúde primários], devido à mobilização dos profissionais destas consultas para a resposta à pandemia por SARS-CoV-2”.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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