SIM pede ajuda a autarcas para libertar médicos de família
DATA
30/06/2021 17:45:13
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Jornal Médico
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SIM pede ajuda a autarcas para libertar médicos de família

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) está a enviar cartas aos autarcas do País, apelando à contratação de médicos para a vacinação contra a COVID-19 e para as áreas dedicadas às doenças respiratórias. E faz eco de que estas atividades têm vindo a retirar, diariamente, 1.500 profissionais dos centros de saúde.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral do SIM, adiantou que as cartas são um ato de “desespero” e um “pedido de ajuda” a todas as autarquias para contratarem profissionais, de forma a libertar os médicos de família e outros profissionais dos centros de saúde.

Segundo Jorge Roque da Cunha, são cerca de 1.000 médicos de família que estão nas áreas dedicadas aos cuidados respiratórios e cerca de 500 adstritos ao acompanhamento da vacinação.

“Se multiplicarmos os 1.500 médicos por cerca de 2.000 utentes que cada um deles segue, isto quer dizer que todos dias há três milhões de portugueses que deixam de ter médico de família (…)”, alertou.

Reconhecendo a importância da vacinação decorrer com celeridade, o secretário-geral da SIM afirma que foi feito um alerta “desde a primeira hora”, sinalizando “que o prolongado e maciço desvio dos trabalhadores médicos especialistas dos cuidados de saúde primários das suas tarefas primordiais, para assegurarem o apoio à importantíssima e fundamental operação nacional de vacinação contra o SARS-CoV-2 e para as áreas dedicadas às doenças respiratórias, iria prejudicar o acesso dos portugueses aos centros de saúde, aliás, não só por falta de trabalhadores médicos, mas também pela de assistentes técnicos e de enfermeiros”.

Na carta enviada, o SIM cita o coordenador da ‘task force’ da vacinação, vice-almirante Gouveia e Melo, que “reconheceu no parlamento a necessidade de contratar, desde logo para a operação nacional de vacinação contra a COVID-19, mais de 400 trabalhadores médicos”.

“O Ministério da Saúde ao não contratar médicos está a fazer com que as pessoas morram mais cedo, que haja diabéticos que ficam descompensados e, ao mesmo tempo, (…) que haja um descontentamento crescente das pessoas que não têm acesso aos seus médicos de família e mesmo às consultas indiretas, (…)”, considerou Roque da Cunha.

"Enviámos sucessivos ofícios de inquietação e de denúncia fundamentada aos presidentes das cinco ARS, ao secretário de Estado Adjunto e da Saúde, à ministra da Saúde, ao primeiro-ministro e ao Presidente da República e de nenhum recebemos qualquer resposta”, queixa-se o SIM na referida carta.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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