Milhares de utentes são prejudicados pela deslocação de médicos para vacinação, denuncia o SCROM
DATA
14/07/2021 12:17:06
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Jornal Médico
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Milhares de utentes são prejudicados pela deslocação de médicos para vacinação, denuncia o SCROM

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) denunciou que cerca de 125 mil utentes daquela zona estão a ser prejudicados devido à deslocação dos médicos de família para os centros de vacinação.

 

Segundo uma nota da SRCOM, os utentes do Centro do País não estão “a ser adequadamente acompanhados nas unidades dos cuidados de saúde primários [UCSP]”, porque os seus médicos e enfermeiros estão a ser destacados para os 78 centros de vacinação.

 “Numa altura em que a retoma das atividades médicas nos centros de saúde deveria acontecer a um ritmo mais elevado, por forma a compensar os atrasos causados no último ano e meio, há mais de 125 mil utentes que diariamente têm o seu médico indisponível pelo facto de este estar no centro de vacinação”, sublinhou o presidente do SRCOM, Carlos Cortes.

Concordando que o “processo de vacinação é essencial e deve ser supervisionado pelos ACES [agrupamento de centros de saúde], que têm demonstrado uma excelente experiência e eficácia”, o dirigente afirmou que o “Ministério da Saúde deve garantir a contratação de recursos adicionais para os centros de vacinação não retirarem diariamente recursos médicos muito importantes para o seguimento, orientação e tratamento dos doentes nos centros de saúde”.

O presidente da SRCOM argumentou que “o Ministério da Saúde tem de escolher: ou quer médicos para tratar os doentes ou quer médicos para tratarem de tarefas puramente administrativas”.

“Estas situações são ainda mais incompreensíveis quando sabemos que existe um milhão de portugueses sem médico de família, por todo o território nacional, o valor mais alto desde 2016”, concluiu.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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