COVID-19: impedida replicação 'in vitro' do coronavírus em células humanas
DATA
14/07/2021 15:35:41
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Jornal Médico
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COVID-19: impedida replicação 'in vitro' do coronavírus em células humanas

Cientistas impediram a replicação 'in vitro' do coronavírus SARS-CoV-2 em células humanas usando a técnica de edição genética CRISPR, revelou um estudo publicado na revista científica Nature Communications.

Investigadores na Austrália utilizaram uma enzima que se liga ao ARN do coronavírus e degrada a parte do genoma (conjunto de informação genética) da qual necessita para se replicar no interior das células humanas. Segundo os autores da investigação, o SARS-CoV-2 ficou impedido de se multiplicar e infetar outras células.

Para este trabalho, os cientistas adaptaram a técnica ‘tesoura molecular’ CRISPR, conhecida pela sua precisão, para que reconhecesse o novo coronavírus.

"Uma vez reconhecido o vírus, a enzima é ativada e corta o vírus em pedaços", simplificou, citada pela agência noticiosa AFP, a autora principal da investigação, Sharon Lewin, do Instituto para a Infeção e Imunidade Peter Doherty, em Melbourne.

A técnica revelou-se igualmente eficaz para travar a replicação viral em amostras de vírus que pertencem à linhagem da variante Alpha.

"Precisamos ainda de melhores tratamentos para as pessoas hospitalizadas com COVID-19. As possibilidades atuais são limitadas e, na melhor das hipóteses, só reduzem o risco de morte em 30%", assinalou Sharon Lewin.

Segundo a autora, apesar dos resultados promissores obtidos em laboratório, que os cientistas querem validar num próximo passo 'in vivo' com animais, serão necessários "anos, e não meses", para que a técnica CRISPR se traduza em tratamentos generalizados. Ainda assim, a seu ver, esta técnica poderá vir a ser útil na luta contra a COVID-19, ao ajudar a desenvolver "um medicamento antiviral oral, barato e não tóxico".

A técnica CRISPR revolucionou a manipulação do genoma pela sua precisão e facilidade de uso, permitindo cortar a fita de ADN ou ARN num local específico, selecionado, e modificar o código genético no interior da célula. A sua aplicação demonstrou ser promissora para eliminar mutações genéticas na origem de cancros nas crianças.

Entretanto, estão a ser desenvolvidos ensaios clínicos com esta técnica para o tratamento de outros cancros e doenças genéticas raras.

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Editorial | Conceição Outeirinho
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