UC obtém cerca de meio milhão de euros para estudar efeitos do stress no cérebro

Um projeto dedicado ao estudo dos efeitos do stress crónico no cérebro, coordenado pelo Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC), recebeu 492 mil euros de financiamento.

A UC anunciou que essa verba é concedida no âmbito do Concurso CaixaResearch de Investigação na Saúde, iniciativa da Fundação la Caixa, que conta com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

O principal objetivo deste projeto, intitulado “Regulação da função sináptica e do comportamento dependente do córtex pré-frontal pelo microRNA-186-5p induzido por stress crónico”, revela a UC, em nota enviada à agência Lusa, é perceber como é que os níveis do miR-186-5p variam no córtex pré-frontal em resposta ao stress crónico, e qual o impacto desta regulação na função neuronal e nos comportamentos dependentes desta região cerebral.

“O stress crónico é cada vez mais prevalente nas sociedades modernas e resulta num risco aumentado para a saúde mental, devido aos seus efeitos no cérebro”, esclarece a UC, destacando que “uma das regiões do cérebro mais afetadas pelo stress é o córtex pré-frontal, (…) envolvido no planeamento de comportamentos complexos e na tomada de decisões”.

O responsável pelo projeto, Paulo Pinheiro explica haver registo de que “indivíduos sujeitos a stress de forma crónica têm maior probabilidade de sofrer alterações nas suas capacidades cognitivas, mas não se conhece as bases moleculares desta associação”.

A partir daí, esclarece o investigador do CNC, pretende-se estudar “a função de uma molécula reguladora da expressão de genes – o miR-186-5p – que se sabe estar aumentada no cérebro em situações de stress crónico, e que regula processos celulares e moleculares envolvidos na aprendizagem e memória”.

Para além do coordenador do projeto, integram a equipa Ana Luísa Carvalho, líder do grupo de Biologia da Sinapse do CNC e do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, Ângela Inácio, Beatriz Rodrigues, Lino Ferreira, Mariline Silva, Miguel Lino, Sandra Santos, investigadores do CNC, e Jorge Valero, investigador do Achucarro – Basque Center for Neuroscience (Espanha).

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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