SPP vê com urgência “via verde” para diagnóstico de cancro do pulmão
DATA
29/07/2021 11:13:58
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Jornal Médico
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SPP vê com urgência “via verde” para diagnóstico de cancro do pulmão

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) propõe a criação urgente de uma “via verde” de diagnóstico para as suspeitas de cancro do pulmão, condição indispensável para acelerar exames e garantir aos doentes o tratamento adequado.

O presidente da SPP, António Morais, deixou claro, em declarações à Lusa, que na área da Oncologia todo o tempo perdido conta. De tal forma, que pode ter como consequência perder o doente para a cirurgia ou para um tratamento suscetível de proporcionar-lhe mais tempo de vida.

“O conceito de recuperação de consultas, no cancro do pulmão, não existe”, esclarece o pneumologista, defendendo, com base nessa premissa, a urgência de “repor os serviços e dar-lhes condições para que, quer a nível da medicina geral e familiar, nos cuidados de saúde primários [CSP], quer a nível hospitalar, com o diagnóstico”, tudo se processe “o mais rápido possível”.

António Morais faz notar que, no cenário atual, uma demora tem tudo para dar mau resultado. “Podemos estar a perder o doente para as terapêuticas que podem (…) curar” ou, pelo menos, prolongar o horizonte de vida.

O responsável explica que, presentemente, a dificuldade do diagnóstico em contexto hospitalar reside nos tempos que são dados aos setores onde são feitos os exames. “Estes doentes têm de fazer broncoscopia, (…) muitas vezes eco-endoscopia, (…) biópsias guiadas por TAC”, seguindo-se todo “o percurso normal da avaliação da biópsia para nos dar as informações (...) de que precisamos para (...) um tratamento adequado. Hoje, é muito mais demorado fazer um diagnóstico”, sublinha.

O especialista lembra que o cancro do pulmão continua a ser a principal causa de morte por doença oncológica em Portugal, cujos sintomas manifestam-se já em fases muito tardias da doença, pelo que as pessoas devem estar muito atentas e não desvalorizar os primeiros sinais, procurando ajuda médica sempre que necessário.

Neste quadro, o tabagismo segue na dianteira dos fatores de risco. “A sensibilização e a luta antitabágica são medidas cruciais de intervenção de saúde pública, que devem envolver a desconstrução dos mitos” relacionados com as novas propostas de consumo, “apresentadas de forma errada como sendo menos prejudiciais para a saúde”.

Entretanto, a SPP está a preparar uma proposta que António Morais conta que seja apresentada em novembro próximo, no congresso nacional, no sentido de passar a existir um programa de rastreio para o cancro do pulmão.

“É muito complexo porque envolve não só a sustentação dessa possibilidade”. Trata-se de “um programa do ponto de vista logístico muito exigente”, e que tem de refletir “todos os cálculos em termos de ganhos e de eficácia económica”, esclareceu o presidente da SPP.

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