SARS-CoV-2: i3S descobre o que pode explicar maior ou menor gravidade da infeção
DATA
05/08/2021 11:07:44
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Jornal Médico
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SARS-CoV-2: i3S descobre o que pode explicar maior ou menor gravidade da infeção

Um mecanismo, associado a uma alteração nos linfócitos T, pode explicar porque é que a infeção pelo SARS-CoV-2 causa doença leve ou grave. A descoberta é portuguesa e tem a assinatura da equipa liderada por Salomé Pinho, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), num estudo que envolveu a colaboração do Centro Hospitalar Universitário do Porto e do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.

 

“Está assim identificada uma resposta imunológica, baseada em formas glicosiladas de linfócitos T, que confere proteção contra o vírus”, confirma o i3S, acrescentando que a mudança no perfil de glicosilação na resposta imunológica após a infeção pelo SARS-CoV-2 “parece ser desencadeada por um fator inflamatório presente no plasma dos indivíduos”.

Entretanto, os resultados do estudo — financiado pela iniciativa RESEARCH 4 COVID-19, da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) — foram publicados na revista The Journal of Immunology em artigo com honras de destaque, sinalizado como top reader da edição de setembro.

Liderada pela investigadora Salomé Pinho, a pesquisa mostrou que as células T circulantes “trocam os seus glicanos [moléculas de açúcar] de forma específica após a infeção com o SARS-CoV-2” e que essa alteração é “mais pronunciada” em indivíduos assintomáticos do que sintomáticos.

A glico-assinatura específica de células T “pode ser detetada no diagnóstico” e constituir um “novo biomarcador de prognóstico e de gravidade COVID-19, bem como um novo alvo terapêutico”, sustenta Salomé Pinho.

Paralelamente, a equipa de investigação avança que, em doentes assintomáticos, as células mononucleares do sangue exibem uma “expressão aumentada de uma proteína específica”, capaz de reconhecer eficientemente o vírus e cujos níveis de expressão em monócitos [células inflamatórias que pertencem à primeira linha de defesa] foram correlacionados com “um melhor prognóstico do doente”.

O papel das células T na resolução ou exacerbação da COVID-19, bem como o potencial para fornecer proteção a longo prazo contra a reinfeção pelo SARS-CoV-2, “ainda está por desvendar na sua totalidade”, faz notar o i3S.

Nesta investigação, colaborou o Centro Hospitalar Universitário do Porto e o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
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O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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