COVID-19: ANMSP pede cautela com surtos em lares

O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP), Ricardo Mexia, assume que a situação dos surtos nos lares de idosos merece cautela, mas não defende a massificação dos testes nem uma terceira dose da vacina, sem evidência científica.

“A questão dos lares é preocupante no sentido em que sabemos que são os contextos em que mais severidade e mais mortalidade tivemos no passado”, mas a situação “ainda está muito longe” do cenário vivido em janeiro e fevereiro, afirmou Ricardo Mexia, em declarações à agência Lusa.

Apesar de defender que sejam feitos testes de rastreio à COVID-19 quando são identificados casos nos lares e, provavelmente, até na comunidade mais próxima, o especialista disse ter dúvidas acerca da massificação da testagem, neste momento.

“Não sei até que ponto faz sentido massificar a testagem nesses contextos. Tem de se manter as medidas de proteção, mas não é claro que neste momento isso possa ser muito vantajoso”, salientou Ricardo Mexia.

Comentando a proposta feita pelo presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), Manuel Lemos, relativamente à administração de uma terceira dose da vacina contra a COVID-19, Ricardo Mexia afirmou que esta situação nos idosos deve ser avaliada “à luz da evidência científica”, referindo que é uma questão que está a ser discutida à escala global.

“Há alguns países que vão avançar nesse sentido. Nós, penso que ainda não temos essa discussão a decorrer até porque ainda não acabámos de vacinar com as duas doses todas as pessoas, ainda estamos a caminho de conseguir atingir esse objetivo, mas acho que é uma questão que pode ser discutida e que deve ser avaliada à luz da evidência científica”, defendeu.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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