VIH/sida: COVID-19 afetou rastreios, testes e profilaxia
DATA
13/08/2021 15:44:22
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Jornal Médico
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VIH/sida: COVID-19 afetou rastreios, testes e profilaxia

A pandemia de COVID-19 afetou os rastreios e testes ao VIH (Vírus da imunodeficiência humana)/sida, bem como a profilaxia pré-exposição, que está “longe” dos objetivos a que se propôs, assinalam médicos e organizações no terreno.

Em declarações à Lusa, a médica infeciologista, Isabel Aldir, que até há pouco tempo liderava o Programa Nacional para a Infeção VIH/sida, confirma que a diminuição de testes e rastreios “é preocupante” e resulta de uma “relação claríssima” com a pandemia de COVID-19.

Recordando que Portugal atingiu em 2017 o patamar de “90% de pessoas diagnosticadas”, a médica infecciologista realça que “o esforço de rastreio tem de ser continuado”, para se atingir o segundo patamar, de 95%.

A sida, doença infecciosa igualmente pandémica, sem cura, mas tratável, matou 34,7 milhões de pessoas desde que foi diagnosticada, há 40 anos. Segundo dados das Nações Unidas, estima-se que 1,7 milhões de pessoas tenham contraído o vírus em 2019 (uma redução de 23% desde 2010).

Também a presidente da Liga Portuguesa Contra a Sida, Eugénia Saraiva, está “preocupada com a diminuição de consultas e testes de rastreio, fortemente afetados pela pandemia”.

Em declarações à Lusa, Eugénia Saraiva estima mesmo uma “redução dos testes de rastreio em mais de 75%”.

Simultaneamente, a profilaxia pré-exposição (PrEP) — tomada antes da ocorrência de um comportamento de risco, prevenindo a infeção — também está a ser “afetada” pela pandemia, observa Eugénia Saraiva. “Estamos longe [das metas fixadas]”, constata.

O objetivo da PrEP – comparticipada a 100% pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) desde 2017 – era chegar a 10 mil pessoas (estimativa de risco), quando, segundo estimativas de Isabel Aldir e do Grupo de Ativistas em Tratamentos (GAT), ainda não passou das “mil a duas mil”, na melhor das hipóteses.

Isabel Aldir defende, por isso, “uma estratégia diferente”, assinalando o facto de a PrEP ainda só estar disponível “em exclusivo nos hospitais” é um obstáculo.

“Estamos a falar de pessoas que não estão infetadas e que se querem prevenir, por isso é preciso deslocar a resposta para outros locais que não os hospitais, mais próximos da população. Estava-se a trabalhar nisso quando se atravessou a pandemia e ficou tudo congelado”, recupera.

Em maio, a Direção-Geral da Saúde (DGS) apelou à realização de testes à infeção por VIH, assumindo que a pandemia levou a uma diminuição dos despistes a nível mundial.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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